Participação no Consegi 2011

maio 20, 2011 Deixe um comentário

Consegi 2011

O Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico – Consegi, está na sua 4ª edição (minha 3ª participação) aconteceu em Brasília, nas dependências da ESAF, de 11 a 13 de maio de 2011. O tema para essa edição é Dados Abertos para a Democracia na Era Digital, embora diversos assuntos tenham seu lugar e tenham sido tratados.

No site do evento pode ser encontrada toda a programação de palestras e oficinas oferecidas aos participantes do evento, de uma variedade incrível, apesar da maioria estar ligada ao tema central. Como quase toda a programação era concorrente, seria impossível participar de uma pequena porção, ainda mais de tudo disponível.

o sobre shell script completamente grátis, Participei de algumas palestras a respeito de dados abertos no governo, por ter muito interesse no assunto por conta do meu trabalho, com destaque para a categoria "Dados Abertos, e-Democracia e Gestão de Conhecimento Governamental" e mais especificamente o debate "Dados Abertos e as questões sobre Privacidade, Integridade, Disponibilidade, Credibilidade e Autoria" com a participação de Rufus Pollock da OKFn (Open Knowledge Foundation) e Cláudio Berrondo do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

O destaque para esse debate em particular é por conta das questões levantadas, de muito interesse para quem se interessa por dados abertos, principalmente no governo. Um bom exemplo seria quais dados podem ser abertos e de qual maneira, como bem lembrado pelo representante do INPI, dados sujeitos a patentes podem gerar outras patentes, logo deve haver um cuidado sobre a licença usada nessa liberação, ou quem libera os dados pode vir a ter que pagar royalties por dados que originou.

Uma solução para esse problema poderia ser uma licença de dados abertos proposta pela OKFn, Open Data Commons, que pode ser do tipo "share-alike", que prevê que os dados abertos usados podem gerar mais dados que também devem ser compartilhados, da mesma forma que os originais.

Outra parte foram as oficinas, ao invés de debates ou explanações, assuntos mais específicos, como mini cursos. Participei de uma sobre o ASES, um software livre do governo, disponível no portal do software público, que analisa sites com relação a qualidade no html, css, baseado no W3C e no e-MAG (padrão do governo para construção de sites e portais) e acessibilidade, incluindo usabilidade e barreiras com relação a visão (para cegos, com diferentes problemas de daltonismo, miopia, glaucoma, entre outros), muito interessante e muito útil, além de promover consciência e inclusão, recomendo muito.

Também participei da oficina de Expressões Regulares do Júlio Neves, que me lembrou mais uma vez da importância e da flexibilidade do shell do Linux, capaz de muito mais do que se imagina e de maneira simples e elegante. Vale lembrar que no site do Julio você encontra um livro sobre shell script completamente grátis, compensa uma visita.

Outra oficina muito interessante foi a do Inkscape, que não pude participar por absoluta falta de vagas, software de desenho vetorial, muito bom e poderoso. Para quem conhece é difícil achar melhor, mesmo entre os proprietários, simples e direto e capaz de rivalizar com o top de mercado sem fazer feio, além de ser de graça. É um dos casos onde o líder só é líder por ignorância de muitos, tive a oportunidade de comparar durante um curso e não achei ferramentas melhores ou mais sofisticadas.

Outra coisa importante foi ter encontrado o pessoal da Transparência Hacker e discutir o projeto de transparência para o legislativo e suas implicações, o que me fez entrar na lista de discussão deles e começar a contribuir com esse e outros projetos em andamento, muito interessantes e importantes para o país.

Por último, mas não menos importante, para ficar com o clichê, mas que é verdade, participei do Installfest, com uma sala exclusiva durante o evento. Pude participar durante duas tardes, ajudando novos usuários com suas dúvidas a respeito de Linux e também ter duas sessões exclusivas para o Fedora, mostrando aos participantes o passo-a-passo da instalação do Fedora 14 numa máquina virtual, com otimização de particionamento, alguns macetes e dicas pós instalação.

Algumas mídias distribuídas com o pessoal do evento e várias ISO’s copiadas pelos participantes garantiram que o Fedora estivesse acessível a todos os interessados. Também divulguei o lançamento do Fedora 15 e com ele suas principais mudanças, como a versão nova do KDE, o inédito Gnome 3 tão aguardado e com tantas mudanças que pude comentar com o pessoal presente, o novo sistema de arquivos, entre outras novidades interessantes.

Foi um evento interessantíssimo e por isso um post tão longo, mas que vai trazer muita coisa boa para meu desenvolvimento no trabalho e nos projetos que participo, pretendo continuar participando nas próximas edições e pode ser o mesmo para outros para quem posso dizer que vale a pena estar lá.

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Respeito é bom e eu gosto

maio 1, 2011 2 comentários

Há algum tempo atrás me deparei com uma discussão numa lista sobre uma prática de várias companhias aéreas, entre elas todas as que dominam o mercado brasileiro, sites que exigem o uso do navegador Internet Explorer. Como faz algum tempo que não viajo de avião, foi algo que me preocupou, mas que pela correria diária, coisas para fazer, acabei esquecendo.

A ideia me voltou à mente essa semana e resolvi escrever a respeito, já que precisamos nos expressar e denunciar esse tipo de coerção. Eu só não sabia quem antes de terminar (acabei mudando e reescrevendo o post depois do fato) eu seria mais uma vítima do problema.

Para uma viagem de família, fui solicitado a comprar as passagens, acharam até os voos para mim, só teria de entrar no site e comprar, fácil e rápido. Entrei, escolhi destino, data, preenchi dados de passageiros e aí começou o problema, o programa de milhagem, que não lembro nem o nº nem a senha. Claro que lá estava o link para a recuperação desses dados, qual não foi minha surpresa ao clicar redireciona para a seguinte página:

Página da Gol solicitando Internet Explorer

Lá estava o problema, nem tinha me dado conta do post meio escrito que vinha elaborando. Desrespeito puro e simples, só tenho a opção do link para instalação do navegador, nada mais. Em casa uso Linux, um Fedora 14 com KDE, como navegadores o Firefox, o Chrome e de vez em quando o Opera ou o Epiphany. Algumas vezes uso o celular para comprar, navegar e coisas do gênero, um iPhone 3GS, o que me deixa com o Safari, em nenhuma dessas plataformas tenho acesso ao famigerado Internet Explorer.

O que deveria fazer, deixar algo seguro e confiável, que já uso com sucesso para praticamente qualquer outra atividade na web, em favor de uma tecnologia conhecidamente insegura, propensa a problemas e bugs, ainda mais que no fim das contas, só trás dor de cabeça? Será que é isso que as empresas que confiam nos web designers a esse ponto desejam que eu faça? Não creio que as pessoas que estão em lugares mais altos da hierarquia dessas empresas sequer saibam do que estou falando, apenas acreditaram no web designer que disse que tudo está funcionando bem, ele testa, no IE claro, e funciona.

O problema com isso é que toda vez que tecnologias desse tipo são usadas, viram um pesadelo para todos os outros, até hoje há um esforço enorme por parte de quem faz páginas descentes para torná-las compatíveis com a versão 6 do IE, o primeiro a espalhar esse conceito de ter tecnologias próprias e que não seguiam as orientações do W3C (quem sugere todas as regras usadas na web, estabelece padrões e que os bons navegadores aceitam).

Logo agora que algumas páginas começam a não mais dar suporte ao IE 6, forçando usuários que ainda não atualizaram seus sistemas a finalmente fazê-lo, deixando esse problema, vamos começar mais um monstro desses para o futuro próximo, é inacreditável.

A questão é que muita gente usa o IE e nem sequer para um instante e pensa, entre os que usam outros navegadores, muitos tem o IE, numa situação dessa apenas trocam de navegador, não estão acostumados a exercer seus direitos de consumidor, tornando a questão um problema menor. As empresas estão acostumadas a fazer como querem já que o público aceita.

Para mim que trabalho com isso e tenho de verificar que as aplicações aceitem vários navegadores (sempre tenho problemas com o IE que não aceita um monte de coisas legais e que tornam as páginas melhores e mais bonitas) e também não uso Windows em casa, o problema realmente incomoda ou impede alguma coisa.

Mas mesmo quando estou no trabalho, onde o padrão é IE, se verifico uma página inconsistente com outros navegadores, nunca deixei de enviar uma mensagem, sempre cordial, avisando do problema, porque é um problema, é o único navegador, entre os mais conhecidos, que ignora as recomendações do W3C para uso de tecnologia própria, tentando forçar todos a usarem o IE.

Infelizmente ainda teremos de conviver com isso muito tempo, porque seria necessário consciência, sair da zona de conforto, reclamar, nem que apenas mandando uma mensagem (quando tenho escolha, não uso serviços de empresas que não aceitam navegadores descentes) pedindo correção, Há ainda um longo caminho a percorrer pelo respeito ao direito de liberdade de escolha.

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LibreOffice ao alcance de todos

abril 30, 2011 4 comentários

Claro que o LibreOffice é livre, o nome por si só já mostra isso a todos, portanto está ao alcance de todos. Para quem ainda não o conhece, na verdade provavelmente só não está ligando o nome à pessoa. Como expliquei no post passado, é a continuação do projeto OpenOffice.org pela comunidade.

A questão é que apesar de estar há muito tempo no mercado de suítes de escritório e no caso do Brasil já ter uma boa participação desse mercado, muitas pessoas ainda não o utilizam por não acreditarem que possam substituir a suíte da Micro$oft com eficiência. Algumas vezes até acreditam que a substituição é viável, mas teriam de aprender tudo de novo ou seria complicado seu uso.

Isso não está nem perto da verdade e as iniciativas para demonstrar isso muitas vezes não alcançam os usuários não técnicos. Outras vezes apenas não ficam conhecidas. Pensando nisso que resolvi escrever este post, divulgar uma dessas iniciativas, de um amigo, o Klaibson Ribeiro. Ele publicou há poucos dias um livro e o deixou para livre download.

Esse livro cuida justamente de dar o primeiro passo, dicas para usuários leigos (o blog dele se chama BrOffice para leigos, bem descritivo, não?), mostrando como começar, desde explicações do que é, como instalar, seja no Windows ou no Linux.

Se é o seu caso ou se você conhece quem está nessa situação, é uma dica ótima, passe adiante e torne as pessoas cada vez mais livres nas suas atividades. Você pode encontrar o blog aqui e baixar o livro em formato PDF, pronto para leitura ou impressão, ou em ODT (formato padrão para distribuição de textos, que também é livre) para adaptações, segundo a licença Creative Commons.

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Demorou, mas acabou

abril 19, 2011 1 comentário

O OpenOffice.org, principal suíte de escritório de Software Livre e concorrente mais conhecido do Microsoft Office, no Brasil é mais conhecido como BrOffice.org, por conta de um registro prévio já explicado na extinta Revista Fedora Brasil. Era o software mais conhecido da Star Division, quando era chamado de Star Office. Então a empresa foi comprada pela Sun e a suíte passou se chamar OpenOffice.org e se tornou cada vez mais conhecida e difundida, com versões para Linux e MS Windows.

Sob a tutela da Sun ficou conhecido e veio a ser o padrão para suítes de escritório do mundo livre, apesar de várias outras soluções, quase nenhuma é tão conhecida ou usada em escala tão larga. O seu modelo passou a ser o padrão de troca de documentos, apesar do lobby da Microsoft para aprovar o OpenXML pela ISO.

Mesmo com alguns problemas com a comunidade com a maneira como a Sun conduzia as atualizações, a comunidade seguiu firme colaborando e desenvolvendo o aplicativo. Mas então entrou a Oracle, que comprou a Sun, gerando incerteza para a suíte livre.

Após vários problemas com a nova burocracia para as atualizações e muitas discordâncias com a comunidade, essa última acabou por iniciar um fork (quando uma nova linha de desenvolvimento paralela ganha independência do original) chamado LibreOffice. Depois de um período de incerteza, o apoio do Fedora (na sua próxima versão já trás como padrão o LibreOffice), do Ubuntu e outros, a comunidade abandonou definitivamente o projeto principal e seus colaboradores passaram a desenvolver o LibreOffice.

Agora a Oracle reconheceu que o projeto se esvaziou e decidiu por não mais apoiar o OpenOffice.org, devolvendo-o à comunidade. Como isso foi pouco para quem já se sentia abandonado, por fim foi anunciado o fim do desenvolvimento do OpenOffice.org, que equivale a dizer que o projeto está enterrado, depois de tantos anos à frente das transições para o mundo livre, para quem parte das soluções mais conhecidas e pagas.

Mesmo que o projeto ganhe mais velocidade, mais desenvolvedores, mais agilidade e a mudança maior esteja restrita ao nome, fica sempre a impressão de que algo se perdeu, com um gigante do Software Livre finalmente encontrando seu fim, ou um recomeço não desejado pela maioria.

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Categorias:Opinião

FLISoL DF 2011

abril 13, 2011 3 comentários

FLISoLDFNo último sábado, dia 09/04/2011, ocorreu em várias cidades da América Latina o FLISoL, Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre. Em Brasília, ocorreu nas dependências da UNEB, uma faculdade particular da cidade.

Foram distribuídos quase 100 CD’s com o spin do BrOffice.org do Fedora, feito especialmente para atender as necessidades do público brasileiro. Além disso, durante o install fest, a troca de ideias com pessoal representando algumas distros Linux proporcionou uma atualização de parte a parte sobre as novidades em cada uma. Várias pessoas puderam ter uma versão do Fedora instalada em seus notebooks e orientações de como usar o sistema para novatos no mundo do Software Livre, especificidades do Fedora e outras informações.

Alguns DVD’s com a versão completa do Fedora 14 foram colocadas à disposição tanto de usuários interessados quanto da organização do evento para promoção do Fedora.

O Chico Fedora proferiu uma palestra sobre o Fedora, falando sobre as características principais, o funcionamento do Projeto Fedora no Brasil e no mundo, tirando dúvidas e até distribuindo alguns brindes para os participantes.

Ao final do evento, durante a cerimônia de encerramento, alguns números do evento foram divulgados:

  • 1838 inscritos
  • 582 presentes
  • 33 palestrantes
  • 3 caravanas
  • 10.6 GB de download em 6 MB de banda

O sistema desenvolvido para as inscrições será disponibilizado para todas as outras edições do FLISoL espalhadas pela América Latina, mostrando envolvimento e que a ideia foi abraçada durante o evento.

O evento teve cobertura no jornal eletrônico Esporte & Cia e do jornal local da Rede Globo, DFTV, demonstrando o crescente interesse que o assunto vem despertando nos diferentes níveis da sociedade.

Foi uma boa oportunidade para encontrar pessoas interessadas em aprender um pouco sobre o mundo do Software Livre e ajudar quem quer fazer parte disso, entendendo pelo menos o básico sobre a filosofia por trás de tudo isso.

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Golpe baixo

fevereiro 7, 2011 Deixe um comentário
Google_vs_Microsoft

A luta do século

Tem tempo que uma guerra entre as duas principais potências do software está acontecendo. Assim que o nome Google deixou de ser apenas uma referência a um motor de busca a Microsoft deixou as barbas de molho, o que, convenhamos, não adiantou rigorosamente nada, o crescimento Google parece irrefreável.

Para quem acompanha um pouco essa luta consegue ver golpes duros sendo desferidos em ambos os lados, mas pouco progresso real em termos de levar a vitória para quem quer que seja, somente luta, e cada vez mais acirrada. O pior é que quanto mais a Microsoft luta com suas armas mais conhecidas e que sempre deram resultados impressionantes contra outros adversários, mais vê que está perdendo território e mesmo que demore, acabará perdendo, o que parece impensável para o tamanho do domínio alcançado. Sem muito trabalho isso fica bem visível com o lançamento do Chrome e seu crescimento vertiginoso para bater o Internet Explorer e o anúncio do Chrome OS, tornando com conceito de Sistema Operacional obsoleto, portanto irrelevante. Isso sem mencionar a gama de serviços gratuitos que incluem até uma suíte office online.

Se as armas convencionais não funcionam, basta apelar para as não convencionais, mas o que seria isso num mundo onde a inovação é a palavra de ordem? Atacar o coração, esse é o ponto, vencer o Google no seu território, o motor de busca. A essa altura do campeonato isso parece impossível, o Yahoo mostrou que ter a fama por muito tempo e fazer uma completa remodelagem, inclusive alcançando resultados semelhantes, não é suficiente para bater o gigante. Assim mesmo a Microsoft fez seu motor de busca, o Bing, e com altos investimentos conseguiu que alguém usasse.

Existem sites que comparam os resultados desses motores de busca, como o BlindSearch, você faz a busca e ele apresenta 3 colunas de resultado, uma Google, outra Yahoo e outra ainda Bing. Só que não diz qual é qual e tem um botão de votação, após votar você fica sabendo em qual. Fazendo alguns testes, testando a relevância dos resultados é fácil perceber que são praticamente equivalentes.

google-vs-microsoft

Símbolos em guerra


Semana passada a briga esquentou e muito, num artigo bomba no Search Engine Land (especializado em motores de busca, como nome bem define) o Google publica uma história bem forte, onde acusa a Microsoft de copiar os resultados de seu motor e apresentá-los como do Bing. O artigo está em inglês e é um pouco técnico, mas de fácil compreensão. Pouco depois a Microsoft rebate dizendo que não houve roubo e apresenta argumentos considerados fracos e no blog oficial do Google é publicado um resumo da ópera (infelizmente tudo em inglês, mas use uma ferramenta de tradução).

Segundo o Google, cujos argumentos são bem mais convincentes, a prova para o roubo é que pesquisas falsas, que não tem relacionamento com o resultado, foram feitas usando computadores com Windows instalado e rodando no Internet Explorer. A página de resultado nada tinha a ver com o termo pesquisado e mesmo assim após usar algumas vezes no Google começou a aparecer no Bing, o mesmo resultado, na mesma ordem. Esperei alguns dias para ver o resultado, mas parece que pelo lado Google existe alguma satisfação em ter provado um ponto e do lado Microsoft a esperança de que isso caia em esquecimento, como tudo o mais quando tantas notícias são lançadas por dia.

Muitos sites publicaram notas sobre o ocorrido, mas depois disso nada, não sei se isso chegará aos tribunais, se fica por isso mesmo, é certo que mais uma vez fica provado que no mundo dos negócios as grandes corporações agem da forma que for possível, não há limites e ninguém pode confiar em ninguém. Fica a pergunta, quem vai dominar o mundo?

Os nomes do Fedora 15

outubro 27, 2010 Deixe um comentário

A lista de nomes de cada versão do Fedora quase sempre gera alguma controvérsia ou polêmica. Parece um paradoxo, já que os nomes também são sugeridos pela comunidade, num processo que parece um exemplo de democracia. Abre-se um período de sugestões, onde os critérios são claros e mantidos inalterados, depois uma validação desses nomes segundo critérios igualmente conhecidos e alguns desses nomes vão para uma lista menor, para votação, também pela comunidade. Como então gerar controvérsia ou polêmica?

Como a primeira lista é completamente aberta, fora os critérios de criação e eliminação por possíveis implicações legais necessários para a manutenção do próprio processo, há uma gama razoavelmente grande de nomes, alguns de gosto altamente duvidoso. O processo de passar dessa lista inicial para a que será apresentada para votação é que geralmente faz a parte complicada do processo.

Uma versão que gerou uma discussão mais acalorada, pelo menos na comunidade brasileira, foi a 9, que acabou com o codinome "Sulphur", enxofre em português. A discussão girava em torno de nomes considerados muito ruins, como Chupacabra. Sulphur e algum outro foram considerados os menos piores, o mal menor para o Fedora. Com 10 nomes na lista de votação, era difícil escolher, bons nomes que foram aprovados não poderia ser votados e isso levou à discussão.

Como normalmente acontece, a discussão não resultou em nada além de insatisfação por parte de alguns membros da comunidade que não se sentem ouvidos, na minha opinião com bastante razão, mas ficou por aí. Um problema recorrente no mundo Fedora, ser ouvido como membro da comunidade em questões como essa é muito difícil, questionar decisões não é exatamente bem visto. Propor alterações no upstream também já gerou esse tipo de conflito, o que pode soar estranho, mas nem toda proposta de alteração é encarada assim. Tive um problema com o YumEx, que causava problemas com meu tipo de conexão, um caso bem particular, justiça seja feita, uma nova versão que me atendia foi publicada em 2 semanas.

Voltando ao tema inicial, o período de sugestões de nomes para o Fedora 15 se encerrou há pouco, nomes foram cortados por ter link fraco (esse é um dos critérios), por não seguirem o critério de criação ou por outras razões. Sobrou uma lista de nomes para serem colocados na lista a ser votada e alguém tem que fazer essa lista. Provavelmente não é um trabalho muito popular. A lista em votação tem apenas 5 nomes, o que aumenta consideravelmente o problema de ter opções, tudo bem diminui o problema de um nome pouco votado ganhar, mas é interessante notar que são os primeiros 5 nomes na lista de sugestões, um deles até com advertência. Foi aprovado, mas não estava completamente ok como vários outros da lista que não chegaram à votação.

Será que há realmente esse trabalho de escolher nessa lista depois da validação? Ou os primeiros 5 propostos que forem aprovados são a lista de votação? Fico na dúvida e não acho que perguntar em uma das listas de discussão resolva, como não resolveu em tantos outros casos, fica apenas a dúvida. Aqui nesse ponto os trolls (quem participa de listas de discussão movimentadas ou fóruns sabe o que é o termo, se não é seu caso, procure por essas referências) começariam a especular, "deve estar reclamando porque o nome sugerido por ele não foi para a lista". Uma coisa é verdade, não foi mesmo, mas tem vários lá que agradariam não só a mim como a muitos outros, o motivo não é esse. Não me considero desprestigiado no processo em si, um nome proposto por mim, numa lista de 10, chegou a 4º lugar na votação, não é ruim.

O que me leva a escrever nem é a tentativa de mudar também, até porque não acho que seja o que for que eu diga mudará o processo em alguma coisa. Apenas uma reflexão sobre o processo em si e algumas de suas consequências. Me perguntando, mais do que a alguém que possa ler, se está certo, se deveria ser assim. Será que um nome que recebeu uma advertência na aprovação era melhor que outros aprovados sem ela e até com comentários sobre serem bons? Uma lista de 5 nomes tem mais chance de agradar por forçar uma votação maior no nome vencedor do que desagradar por não trazer os nomes que a maioria gostaria?

Fiz minha parte, sugeri um nome, votei em um da lista apresentada, agora é esperar o resultado e não me empolgar com ele, venha o que vier, como já aconteceu tantas vezes. Aí o troll já começa, "se não gosta, porque não muda de distro?" A resposta é muito simples, até demais, porque eu não quero, gosto dessa e vou ficar com ela, mas como gosto de liberdade (escolhi Linux, não é?) não acho que preciso concordar com tudo, principalmente com o que parece não estar certo.

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Categorias:Fedora, Opinião