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Archive for maio \30\UTC 2011

Linus anuncia que a numeração do kernel vai mudar

maio 30, 2011 Deixe um comentário

Foto de Linus na Wikipedia

Hoje, no git do kernel do Linux, chegou um commit diferente, o próprio Linus Torvalds, criador do Linux, que incluiu a seguinte mensagem a seu commit:

Linux 3.0-rc1

.. exceto que haja vários scripts que conheçam três números, então se chamará "3.0.0-rc1".

Com sorte, na época em que o lançamento final estiver pronto, nós teremos esse zero extra resolvido.

É uma mudança um pouco maior que as anteriores, além de pular o 2.8.x, indo direto ao 3.0, o último grupo de números seria deixado de lado sempre que possível. Mas o que isso realmente quer dizer? Para entender, é necessário saber um pouco sobre a numeração do kernel, ocorre da seguinte maneira.

Hoje estamos na série 2.6.x, onde "x" é o número atual, no meu notebook seria 2.6.38.6-26.rc1.fc15.i686.PAE.Vamos decifrar isso, o 2 é o número principal, quando o Linux estava num estágio que foi considerado pronto passou do 0.x.x para 1.x.x e quando recebeu inovações bastante importantes, passou para 2.x.x. Passando, claro, por um longo período na série 1.x.x.

Logo após vem o número 6 que define que um kernel estável. Se for um número par faz parte dos estáveis e os ímpares da fase de desenvolvimento. Assim, antes de se chegar na série 2.6.x, enquanto a maioria usava a 2.4.x, o desenvolvimento ocorria na série 2.5.x de numeração semelhante.

No caso do número que estou usando, o 38 é o do lançamento, qual versão e o restante de pequenas mudanças e correções com o 6-26.rc1 e da distro, fc15 para Fedora 15 e i686.PAE para a arquitetura.

Parece complicado, mas para quem não trabalha com isso e nem compila o próprio kernel, pelo motivo que seja, não faz a menor diferença, muitos usuários que não tem problema em usar seu Linux preferido nem sabem qual versão do kernel usam nem como poderiam saber.

Dessa forma, para mudar seria para a série 2.8.x e não para a 3.x.x, muito menos para 3.x, como é a proposta, mas há uma discussão sobre essa mudança e o Linus bateu o martelo na questão e pouco depois enviou uma mensagem à lista de emails do kernel explicando suas razões e reabrindo a discussão, embora a numeração vá mudar de qualquer maneira.

Apesar de muitas atualizações em drives e zilhões de outras pequenas atualizações e alterações, Linus diz que não é uma grande mudança, ou como ele colocou, "não estamos fazendo um KDE 4 ou Gnome 3", que tiveram versões completamente remodeladas, apenas "não me sinto confortável com uma numeração acima de 40" e que "vem bem a calhar coincidindo com os 20 anos do Linux".

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Fedora 15 no ar

maio 24, 2011 Deixe um comentário
Fedora Project

Imagem do site do Fedora

A nova versão do Fedora, o 15, está disponível a partir de hoje, dia 24 de maio de 2011. Como existe uma nova versão a cada seis meses, isso nem chega a ser uma grande novidade para a maioria dos não usuários, mas para quem tem interesse em Linux, dessa vez é diferente. Por quê? Muitas novidades num pacote só, vamos comentar algumas para facilitar o entendimento.

O novo Gnome 3. A primeira distro a adotar a nova e revolucionária versão do Gnome com GTK3. Muita coisa diferente, é um grande passo, e na direção certa, apoio ao upstream. Também uma nova versão do KDE com atualizações interessantes, para quem usa esse gerenciador de janelas, como eu mesmo.

Outro passo bem largo, uma aposta na verdade, é o sistema de arquivos, para quem quiser usar o Ext, não tem problemas, mas estará disponível para os bravos usuários do Fedora, o Brtfs. Por tudo que já li a respeito na net, parece ótimo, outra coisa é formatar sua partição raiz e colocar, será feito ainda hoje.

Mais mudanças, o initd será substituído pelo Systemd, que permitirá, entre outras coisas, o aproveitamento dos processadores de vários núcleos durante a iniciação dos sistemas, tornando o boot ainda mais rápido. Tem o inconveniente de ser bem diferente do que estamos acostumados e teremos de aprender de novo coisas simples como alterar o modo de execução de algum aplicativo.

Outra alteração que vai gerar impacto será a nova nomenclatura dos dispositivos de rede, agora baseada na origem do dispositivo e não apenas no tipo. Isso certamente fará com que vários scripts tenham de ser atualizados, mas como a nomenclatura deve permanecer nesse novo padrão por um bom tempo, é uma vez e pronto, está alterado e pronto para funcionar novamente.

Existem novas versões de diversos aplicativos, mas isso acontece em cada atualização do Fedora, uma que vale a pena citar é o Firefox 4, padrão de navegador do Fedora. São muitas inovações e quebras de paradigma, o Fedora sempre foi inovador, mas vinha tendo atualizações com poucas mudanças e novidades, para ver as mudanças era necessário pular uma versão. Essa tem muita coisa, inclusive para usuários de outras distros testarem, mesmo não adotando o Fedora, porque logo essas coisas podem estar na sua distro preferida, ou não.

Chega de papo, baixe o Fedora 15 aqui.

Participação no Consegi 2011

maio 20, 2011 Deixe um comentário

Consegi 2011

O Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico – Consegi, está na sua 4ª edição (minha 3ª participação) aconteceu em Brasília, nas dependências da ESAF, de 11 a 13 de maio de 2011. O tema para essa edição é Dados Abertos para a Democracia na Era Digital, embora diversos assuntos tenham seu lugar e tenham sido tratados.

No site do evento pode ser encontrada toda a programação de palestras e oficinas oferecidas aos participantes do evento, de uma variedade incrível, apesar da maioria estar ligada ao tema central. Como quase toda a programação era concorrente, seria impossível participar de uma pequena porção, ainda mais de tudo disponível.

o sobre shell script completamente grátis, Participei de algumas palestras a respeito de dados abertos no governo, por ter muito interesse no assunto por conta do meu trabalho, com destaque para a categoria "Dados Abertos, e-Democracia e Gestão de Conhecimento Governamental" e mais especificamente o debate "Dados Abertos e as questões sobre Privacidade, Integridade, Disponibilidade, Credibilidade e Autoria" com a participação de Rufus Pollock da OKFn (Open Knowledge Foundation) e Cláudio Berrondo do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

O destaque para esse debate em particular é por conta das questões levantadas, de muito interesse para quem se interessa por dados abertos, principalmente no governo. Um bom exemplo seria quais dados podem ser abertos e de qual maneira, como bem lembrado pelo representante do INPI, dados sujeitos a patentes podem gerar outras patentes, logo deve haver um cuidado sobre a licença usada nessa liberação, ou quem libera os dados pode vir a ter que pagar royalties por dados que originou.

Uma solução para esse problema poderia ser uma licença de dados abertos proposta pela OKFn, Open Data Commons, que pode ser do tipo "share-alike", que prevê que os dados abertos usados podem gerar mais dados que também devem ser compartilhados, da mesma forma que os originais.

Outra parte foram as oficinas, ao invés de debates ou explanações, assuntos mais específicos, como mini cursos. Participei de uma sobre o ASES, um software livre do governo, disponível no portal do software público, que analisa sites com relação a qualidade no html, css, baseado no W3C e no e-MAG (padrão do governo para construção de sites e portais) e acessibilidade, incluindo usabilidade e barreiras com relação a visão (para cegos, com diferentes problemas de daltonismo, miopia, glaucoma, entre outros), muito interessante e muito útil, além de promover consciência e inclusão, recomendo muito.

Também participei da oficina de Expressões Regulares do Júlio Neves, que me lembrou mais uma vez da importância e da flexibilidade do shell do Linux, capaz de muito mais do que se imagina e de maneira simples e elegante. Vale lembrar que no site do Julio você encontra um livro sobre shell script completamente grátis, compensa uma visita.

Outra oficina muito interessante foi a do Inkscape, que não pude participar por absoluta falta de vagas, software de desenho vetorial, muito bom e poderoso. Para quem conhece é difícil achar melhor, mesmo entre os proprietários, simples e direto e capaz de rivalizar com o top de mercado sem fazer feio, além de ser de graça. É um dos casos onde o líder só é líder por ignorância de muitos, tive a oportunidade de comparar durante um curso e não achei ferramentas melhores ou mais sofisticadas.

Outra coisa importante foi ter encontrado o pessoal da Transparência Hacker e discutir o projeto de transparência para o legislativo e suas implicações, o que me fez entrar na lista de discussão deles e começar a contribuir com esse e outros projetos em andamento, muito interessantes e importantes para o país.

Por último, mas não menos importante, para ficar com o clichê, mas que é verdade, participei do Installfest, com uma sala exclusiva durante o evento. Pude participar durante duas tardes, ajudando novos usuários com suas dúvidas a respeito de Linux e também ter duas sessões exclusivas para o Fedora, mostrando aos participantes o passo-a-passo da instalação do Fedora 14 numa máquina virtual, com otimização de particionamento, alguns macetes e dicas pós instalação.

Algumas mídias distribuídas com o pessoal do evento e várias ISO’s copiadas pelos participantes garantiram que o Fedora estivesse acessível a todos os interessados. Também divulguei o lançamento do Fedora 15 e com ele suas principais mudanças, como a versão nova do KDE, o inédito Gnome 3 tão aguardado e com tantas mudanças que pude comentar com o pessoal presente, o novo sistema de arquivos, entre outras novidades interessantes.

Foi um evento interessantíssimo e por isso um post tão longo, mas que vai trazer muita coisa boa para meu desenvolvimento no trabalho e nos projetos que participo, pretendo continuar participando nas próximas edições e pode ser o mesmo para outros para quem posso dizer que vale a pena estar lá.

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Respeito é bom e eu gosto

maio 1, 2011 2 comentários

Há algum tempo atrás me deparei com uma discussão numa lista sobre uma prática de várias companhias aéreas, entre elas todas as que dominam o mercado brasileiro, sites que exigem o uso do navegador Internet Explorer. Como faz algum tempo que não viajo de avião, foi algo que me preocupou, mas que pela correria diária, coisas para fazer, acabei esquecendo.

A ideia me voltou à mente essa semana e resolvi escrever a respeito, já que precisamos nos expressar e denunciar esse tipo de coerção. Eu só não sabia quem antes de terminar (acabei mudando e reescrevendo o post depois do fato) eu seria mais uma vítima do problema.

Para uma viagem de família, fui solicitado a comprar as passagens, acharam até os voos para mim, só teria de entrar no site e comprar, fácil e rápido. Entrei, escolhi destino, data, preenchi dados de passageiros e aí começou o problema, o programa de milhagem, que não lembro nem o nº nem a senha. Claro que lá estava o link para a recuperação desses dados, qual não foi minha surpresa ao clicar redireciona para a seguinte página:

Página da Gol solicitando Internet Explorer

Lá estava o problema, nem tinha me dado conta do post meio escrito que vinha elaborando. Desrespeito puro e simples, só tenho a opção do link para instalação do navegador, nada mais. Em casa uso Linux, um Fedora 14 com KDE, como navegadores o Firefox, o Chrome e de vez em quando o Opera ou o Epiphany. Algumas vezes uso o celular para comprar, navegar e coisas do gênero, um iPhone 3GS, o que me deixa com o Safari, em nenhuma dessas plataformas tenho acesso ao famigerado Internet Explorer.

O que deveria fazer, deixar algo seguro e confiável, que já uso com sucesso para praticamente qualquer outra atividade na web, em favor de uma tecnologia conhecidamente insegura, propensa a problemas e bugs, ainda mais que no fim das contas, só trás dor de cabeça? Será que é isso que as empresas que confiam nos web designers a esse ponto desejam que eu faça? Não creio que as pessoas que estão em lugares mais altos da hierarquia dessas empresas sequer saibam do que estou falando, apenas acreditaram no web designer que disse que tudo está funcionando bem, ele testa, no IE claro, e funciona.

O problema com isso é que toda vez que tecnologias desse tipo são usadas, viram um pesadelo para todos os outros, até hoje há um esforço enorme por parte de quem faz páginas descentes para torná-las compatíveis com a versão 6 do IE, o primeiro a espalhar esse conceito de ter tecnologias próprias e que não seguiam as orientações do W3C (quem sugere todas as regras usadas na web, estabelece padrões e que os bons navegadores aceitam).

Logo agora que algumas páginas começam a não mais dar suporte ao IE 6, forçando usuários que ainda não atualizaram seus sistemas a finalmente fazê-lo, deixando esse problema, vamos começar mais um monstro desses para o futuro próximo, é inacreditável.

A questão é que muita gente usa o IE e nem sequer para um instante e pensa, entre os que usam outros navegadores, muitos tem o IE, numa situação dessa apenas trocam de navegador, não estão acostumados a exercer seus direitos de consumidor, tornando a questão um problema menor. As empresas estão acostumadas a fazer como querem já que o público aceita.

Para mim que trabalho com isso e tenho de verificar que as aplicações aceitem vários navegadores (sempre tenho problemas com o IE que não aceita um monte de coisas legais e que tornam as páginas melhores e mais bonitas) e também não uso Windows em casa, o problema realmente incomoda ou impede alguma coisa.

Mas mesmo quando estou no trabalho, onde o padrão é IE, se verifico uma página inconsistente com outros navegadores, nunca deixei de enviar uma mensagem, sempre cordial, avisando do problema, porque é um problema, é o único navegador, entre os mais conhecidos, que ignora as recomendações do W3C para uso de tecnologia própria, tentando forçar todos a usarem o IE.

Infelizmente ainda teremos de conviver com isso muito tempo, porque seria necessário consciência, sair da zona de conforto, reclamar, nem que apenas mandando uma mensagem (quando tenho escolha, não uso serviços de empresas que não aceitam navegadores descentes) pedindo correção, Há ainda um longo caminho a percorrer pelo respeito ao direito de liberdade de escolha.

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