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Farinha pouca, meu pirão primeiro

É fácil entender a motivação por trás de empresas que produzem software, a produção tem custos altos com equipamentos e principalmente com mão-de-obra. Entregar o produto de todo esse investimento de “mão beijada”, assim, sem mais nem menos, seria completamente contra o capitalismo e o lucro. Tanto é que a maioria desses “nerds” que defendem o software livre nem trabalha, pelo menos essa é a idéia corrente em muitos meios que defendem, muitas vezes sem saber muito o porquê, já que a pessoa que defende esse tipo de idéia normalmente também é a que paga por, software proprietário. Não vejo qual o ganho pessoal, parece que defende ideais da mesma forma que os “nerds” e ainda paga por isso, não me parece muito inteligente.

Esse modelo parece ser o mais sensato e lógico, mas tenho algumas considerações a respeito. Uma coisa importante que passa batido quando as pessoas falam desse assunto, seja por não conhecer a história, seja por querer ver apenas um lado, é que o desenvolvimento de software, nos seus primórdios, seguia o modelo que hoje reconhecemos como software livre. Os programadores trabalhavam em projetos diferentes, de empresas diferentes, de universidades diferentes e as soluções encontradas eram partilhadas, de forma que o todo crescia mais rápido, sendo um bom exemplo de sinergia (ainda bem que já está fora de moda a palavra, muita gente usa isso para tudo), onde o todo é maior que a soma das partes.

Além de comum era o esperado, mas com o “florescimento” de grandes empresas de software e com a adoção das leis de propriedade intelectual sendo associadas a software o modelo mudou, e muito. Como o próprio software é algo relativamente novo, não acredito que muitos ângulos tenham sido estudados. Somente com a popularização da idéia por trás do software livre é que essa noção começou a mudar. É claro que é bom ressaltar que software livre não é Linux, ajudou muito nessa popularização, mas tem muito mais, a GPL é muito mais abrangente e fala mais sobre liberdade, como já disse aqui uma vez.

Ouvindo umas opiniões muito interessantes sobre o assunto, já que a discussão no Brasil parecia que nunca ia acontecer, mas com a “preferência” do Governo Federal por software livre isso acabou sendo obrigatório, percebi que as vantagens dos dois modelos não precisam necessariamente conflitar. O software livre é um caminho sem volta que tende a tomar os espaços em softwares de massa, como Sistemas Operacionais, Suítes de Escritório, aplicativos diversos de produtividade, edição de imagens, som, vídeo e a lista continua e é bem grande. Mas existe um nicho que o software livre terá muita dificuldade de penetrar, os softwares customizados, como vários tipo de ferramenta de gerência (BI, que embora tenha em versões de software de massa, isso não se aplica a muitas organizações).

Além disso, há várias empresas que estão subindo no mercado com idéias inovadoras nesse quesito. A Red Hat, distribui Linux com mesmo nome e patrocina vários aspectos do Fedora, já deixou a NASDAQ (o equivalente da bolsa de valores, mas para empresas de TI, quase todas de internet) e colocou suas ações, que não param de subir, na bolsa de valores de Nova Yorque. Aí alguém diria, mas ela vende o Linux dela e a um preço muito similar a versão completa do Windows Server. Sim, mas qualquer um pode conseguir (legalmente, o que muito melhor) uma versão bastante similar, com funcionalidades semelhantes e até aparência semelhante de graça. Então porque alguém pagaria? Suporte. É onde muitos dizem que o custo total do Linux é maior (na verdade a maioria dos que dizem isso estão de alguma forma ligados à Micro$oft, empresas como a IBM e Sun têm números bem diferentes, o que torna os resultados obtidos pela Micro$oft no mínimo discutíveis), mas isso é outro assunto.

Diante disso, acho que a colaboração e o ganho, lucro mesmo, não precisam necessariamente em lados opostos. Quando as opiniões são muito acirradas, a chance de estarem erradas é bem grande. O idealismo fora de controle de alguns que esquecem que a movimentação da engrenagem depende do dinheiro e continuará assim, seria muita ingenuidade pensar diferente. Por outro lado o discurso que ninguém são acredita, a não ser a mãe do Ballmer e os ingênuos, que não deixa de lembrar os das grandes gravadoras que acham que vão vencer e acabar com o mp3 (eles sabem que não, mas nunca falariam isso em público). Se apenas meu pirão tiver farinha, muita gente passa fome.

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