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Archive for setembro \27\UTC 2007

Navegar é preciso

setembro 27, 2007 1 comentário

Ainda por conta do problema que já coloquei aqui com a companhia telefônica* e sua presteza em me atender, estou sem acesso à internet em casa, o que prejudica muito a freqüência com que posso postar alguma coisa. Poderia, claro, ao pensar num assunto de interesse, para compartilhar com outras pessoas, escrever em casa (o computador não tem problema nenhum, funciona que é uma beleza, só não se conecta, não tenho placa faxmodem para conectar pela discada e a linha não “tem disponibilidade” no momento para conexão ADSL), num editor de texto, até numa versão offline do wordpress para saber como fica no final.

Mas sabe que descobri não ser a mesma coisa? As atividades que hoje tenho no computador mudaram tanto que nem me reconheço. Tanta coisa que fazia, corriqueiramente, agora sem a internet parecem meio sem graça, não só a falta de navegar mesmo, de procurar coisas novas, mas trabalhar no site offline, que é necessário para os testes que faço antes de colocar no ar (um portal de linux que mantenho junto com amigos), agora são mais difíceis. Outras coisas que raramente fazia e hoje não parecem estranhas mais, como ver vídeos e filmes, ler livros inteiros. “Naquela tela?”, diriam alguns, eu também acho, mas está divertido fazer isso agora. Simplesmente está divertido, o que mais posso dizer?

Tem alguns textos e revistas virtuais que acompanho, acho a leitura mais simples agora, apesar de baixar a revista enquanto estou no trabalho, guardar no pendrive e só ler depois de organizar as coisas em casa (tem umas 5 ou 6 que ainda não li, levei várias e ainda tinha outras, de quando podia contar com a internet) .

Alguns textos, justamente por serem direcionados a usuários de computador que estão diante dele no momento da leitura, trazem links, essa parte eu perco, porque não posso acessar no momento que os vejo e me esqueço de procurar por isso quando chego ao trabalho. Porém quase sempre isso não é necessário para o entendimento, apenas um complemento e também tem pouca coisa que o texto quer dizer e não está ali já escrito, uma grande vantagem. Já que algumas das coisas que deixei de ler foi justamente por isso, me acostumei (até demais) com o Google, dúvidas? dá uma googlada que passa. Tirava as dúvidas e nem sequer me dava ao trabalho de anotar a solução, uma vez que o oráculo parecia estar sempre ali, ao alcance de um clique.

Agora para ler coisas que dependem de internet, precisa ter tempo enquanto estou no trabalho, o que nem sempre é verdadeiro, para escrever aqui, idem. Aí vejo a falta que a internet faz, já me conformei como desplugado, desconectado, com minha nova vida offline. Não é ruim ser assim, aproveito o tempo de outra forma, mas sei das facilidades que perdi. Sei que ainda não estou preparado para viver longe da tecnologia, mas também sei que não dependo dela como imaginava, há um meio termo que não é muito diferente do que havia imaginado que fosse. Pensando assim parece até que me libertei de um mal qualquer, o que não é o caso, para quem não sabe dosar, para quem deixa a vida virtual tomar espaço da vida real isso é um problema e eu estou vivendo justamente o oposto disso agora, conheço a tecnologia e gosto dela, apenas não tenho o acesso no momento.

Se alguém acha que estou em apuros, recomendo que se desligue da internet um pouco também, mal não vai fazer, garanto. Mas se é justamente o contrário, acha que agora que começo aviver ou aproveitar o que avida tem de melhor, aí a recomendação é para parar de ter medo dos computadores, eles não mordem e nem tudo o que você fizer vai invariavelmente destruir todos os dados que o computador contém além de espalhar um vírus mortal em toda a rede do planeta. Além disso, do perigo não ser assim tão grande (é sempre bom lembrar, o risco existe, apenas não é tão grande como pintado, nem também é tão pequeno como os que usam windows por opção ou por falta de conhecimento gostariam que fosse**), você pode se surpreender com o número de coisas interessantes que se pode fazer com um computador e pode até gostar, não custa tentar.

P.S. Algumas observações importantes:

* A indisponibilidade de ADSL informada pela BrasilTelecom, segundo eles, se deve a 2 fatores, falta de portas disponíveis na central que atende o lugar onde moro, cancelei uma linha e comprei outra, a pessoa que compartilhava a conexão comigo numa rede para os 2 computadores em casa comprou depois de mim e já tem ADSL.

O outro fator é a distância da casa até a central, superior a 3 km o que inviabiliza a habilitação da linha. Apesar de saber que essa distância é de 2 km ou menos, sei onde ficam as 2 (minha casa, óbvio, e a central), acho essa explicação mais plausível. O problema é que talvez com medo que eu não completasse o cadastro da linha telefônica (você só pode saber da disponibilidade de ADSL se contratar a linha telefônica e ela estiver funcionando, uma falta de respeito, já que eles dão a informação, depois da linha instalada pelo CEP) e depois com medo que eu a cancelasse, foi muito difícil que alguém me dissesse que esse problema da distância era uma das possibilidades. Bom saber o motivo real (se for esse mesmo), mas ruim saber que não há a menor previsão de quando poderiam me atender.

** O risco de se usar o windows na internet não se refere apenas à navegação irresponsável, abrir arquivos de fontes desconhecidas e outras práticas arriscadas. Um computador rodando windows XP SP2 não é seguro ao se conectar nem por meia hora, sem sequer abrir o navegador, só por estar conectado. Qualquer pessoa que acompanha blogs de notícias de informática já ouviu falar de brechas de segurança, qualquer sistema que esteja em uma rede (a internet é uma rede também) é vulnerável. Não é uma questão de ser passional, são fatos.

Eu não sou daqueles que adora o Linux e por isso odeia a Micro$oft (como já disse aqui e apesar de grafar o nome da empresa com um cifrão, apenas por ser a marca registrada dela), uso os 2 sistemas. Só que quando vou navegar na internet prefiro, por razões de segurança, usar sempre o Linux. Poderia dizer que é porque nunca tive problemas fazendo assim, mas isso seria muito pouco. Não conheço nem ouvi falar de que alguém tenha conseguido, mesmo com um comportamento considerado irresponsável no windows, prejudicar seu sistema navegando com Linux, já o contrário, mesmo com todas as precauções não é garantido.

Opiniões inflamadas à parte, vou tentar assegurar que meu computador continue funcionando bem e os dados dentro dele estejam a salvo.

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Categorias:Internet, Mercado, Opinião

O Eixo do Mal

setembro 12, 2007 2 comentários

Recentemente, uma decisão da empresa americana Dell gerou polêmica entre a comunidade científica brasileira. Um físico da Universidade Federal Fluminense – UFF, comprou dois computadores da empresa. Recebeu num contato após a compra, um termo de compromisso no qual o pesquisador se comprometia a não transferir, exportar ou re-exportar os produtos adquiridos para o “Eixo do Mal”, para qualquer estrangeiro com dupla nacionalidade, natural ou residente dos países em questão; não utilizar os produtos para qualquer atividade ligada a armas de destruição em massa de qualquer tipo ou transferi-los para qualquer pessoa ou grupo envolvidos nessas atividades; e nem transferir os computadores para qualquer pessoa ou grupo embargados pelo governo dos Estados Unidos.

O Eixo do Mal referido no termo, claro, é o que o presidente dos EUA, George W. Bush, assim classifica, constituído por: Cuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão e Síria. Uma vez que quem negociou a compra dos PCs foi um colega do físico, que é cubano e mora no Brasil há anos, a empresa se sentiu obrigada pelo governo americano a exigir a assinatura do termo, alegando que poderia sofrer represálias.

O mesmo físico já havia comprado outros computadores da Dell anteriormente sem o problema, ora, se a empresa vende seus produtos sem essa exigência. Ao que parece, o fato da negociação ter sido intermediada por um colega do físico, que é cubano, motivou a atitude, e não qualquer pressão do governo norte-americano, ou a empresa faria todas as vendas da mesma forma, ou pelo menos para qualquer país que tenha relações com algum do Eixo.

Vários cientistas sugeriram boicote aos produtos da empresa, alguns foram além, sugerindo boicote a produtos norte-americanos. Sendo como for, a decisão do governo dos EUA de boicotar, inclusive obrigando (naõ sei se realmente obriga, a Dell não é santa) as empresas com sede em seu território a participarem, provavelmente não é a melhor maneira de atingir o Eixo, se é que existe um.

A política externa do governo Bush não poderia ser mais equivocada. Está baseada numa premissa correta, a economia dos EUA é a maior do mundo e dita o humor do mercado. Todo mundo sabe que isso é verdade, claro que eles também sabem, é a lógica, quem acompanha o episódio da atual crise mundial, apenas porque o mercado imobiliário deles está mal, pode ver isso com bastante clareza. Mas isso é assunto para outro post.

Baseado nessas premissas, Bush faz uma política externa que exclui o resto do mundo de qualquer decisão sobre sua política externa. Boicota quem quiser, faz guerra com quem bem entender, invade se achar necessário e por aí vai. Desde o final da Segunda Grande Guerra que os EUA adotaram o posto de “polícia do mundo”, mas isso tem chegado a extremos onde não é aquilo que parece ser consenso que eles defendem, como poderia parecer numa visão mais ingênua, onde eles ajudam a manter a democracia no mundo. Muito pelo contrário, eles mantém as democracias ou regimes totalitários que forem de importância econômica para eles.

Até aí não tem nada demais, ou pelo menos nada que quase qualquer outro país do mundo não faria se estivesse na mesma posição. O que os torna diferentes é que sua política é predatória. Vários impérios já dominaram o mundo ao logo da história, como hunos, chineses, cartagineses, persas, hititas, egípcios, gregos, romanos, só para citar os que me vieram à mente agora. Desses, os que fizeram sucesso por mais tempo, ou eram isolados ou tinham uma característica em comum, o domínio era mais econômico que político. Os países dominados continuavam com sua cultura, seus deuses, sua moeda, em muitos casos até com seus governantes. Era isso que mantinha a unidade, o pagamento de tributos era suficiente para o império dominante e justificava a aquisição de cada vez mais terras.

Na sua cruzada, Bush tem cometido absurdos em nome de sua política externa. A perseguição a Bin Laden fere a soberania do Afeganistão, mas para eles não há outro país que tenha essa característica, soberania. A guerra contra Sadan, que existe mesmo gente que acredita que era para depor o regime, suprimir a ameaça terrorista (Papai Noel também estava muito angustiado, mostrou isso em carta dirigida ao Coelhinho da Páscoa) que acabou por “exigir” a presença do exército até o final da transição do governo, aliás, o problema não é em que acabou e sim que não acabou coisa nenhuma.

Quer dizer que acho que Bin Laden não é um terrorista perigoso e deve ser deixado em paz? Não, muito pelo contrário, ele deveria ter sido deixado em paz há uns 20 anos, quando a CIA o recrutou e treinou para prejudicar a então poderosa União Soviética. Aí o problema de hoje não seria esse, nem teria esse tamanho ou repercussão. Clássico exemplo onde o feitiço se volta contra o feiticeiro.

Não sou anti-americano, até porque, na minha opinião, americano é quem vive na América e isso não quer dizer EUA, mas o continente americano. Também não sou anti-americano no sentido mais restrito, contra os EUA, até sou simpático a eles, mas tudo tem limite, uma coisa é ser simpático e outra é deixar de ser patriota. Muitas pessoas tem vergonha de ser brasileiro, bem, não é o meu caso. O que me motiva a escrever isso não é esse tipo de sentimento, que acho até pobre, se quer realmente fazer algo, faça na arena deles, nada pior para eles que perder em seu próprio terreno, o capitalismo.

A motivação seria essa história toda em volta do Eixo do Mal, querendo fazer alusão às duas guerras mundiais, comparando ao nazismo e tentando levar as pessoas a acreditar que os EUA lutam pela liberdade. Nem quem lê história em quadrinho cai nessa mais. Para mim pode até existir um Eixo do Mal, mas quem procura nos países indicados pelo Bush deve estar procurando no lugar errado. Para mim o país da liberdade é aqui, onde eu posso tudo que a lei não me proíbe.

Categorias:Opinião, Política

Ninguém merece…

setembro 5, 2007 3 comentários

As empresas de telefonia são conhecidas pelo mau atendimento e pelos serviços de má qualidade, onde a concorrência é menor o problema é maior. Já tive meus problemas, mas pensei que minha cota tinha acabado por esse ano, pelo menos. Não poderia estar mais enganado.

Imagine a seguinte situação, indo a um prestador de serviços qualquer, mesmo ramo das empresas de telefonia, tivesse de contratar um serviço de cada vez, mesmo sabendo o que quer desde o início. Como contratar um técnico de informática para consertar seu micro:

– Para consertar tem de abrir.

– Tudo bem, pode abrir.

– Bom, vou abrir um chamado para retirada dos parafusos, até amanhã o Sr. deve ser atendido, então pode entrar em contato novamente e pedir para que um técnico venha retirar a tampa. Normalmente isso ocorre em até 3 dias úteis, não mais que isso.

– Mas não posso pedir para abrir simplesmente, vou precisar dos 2 serviços, a empresa pode chamar os técnicos, vou pagar por tudo.

– Infelizmente não é possível, porque só posso abrir o chamado para a retirada da tampa depois que o chamado referente à retirada dos parafusos estiver concluído, o sistema não permite abrir um novo chamado com esse pendente. O Sr. deve abrir o chamado para retirada da tampa em até 5 dias ou terá de reiniciar o processo.

– Mesmo com os parafusos já retirados?

– Sim, porque o chamado se fecharia automaticamente e o técnico não poderia saber que os parafusos foram retirados.

– Mas eles estariam retirados, eu mesmo posso atestar isso.

– Mas no sistema constaria como pendente novamente, Sr.

Assim seguiriam as argumentações do consumidor de um lado e as desculpas da empresa de outro e nunca acabaria, não de modo satisfatório. Provavelmente a culpa de tais serviços serem encadeados deve ser do consumidor, ou a empresa poderia registrar todo o pedido e arcar com a própria burocracia, jamais passaria esse encargo ao consumidor, que afinal de contas é quem paga a concessionária. Concessionária, é bom lembrar dessa parte também, tem apenas uma permissão do governo para atuar nesse ramo e age como se fosse dona absoluta, e a maioria dos consumidores não reclama, o que faz valer a pena atender mal.

O diálogo fictício e absurdo com o técnico de informática, parece impossível, mas não é quando se trata de empresas de telefonia. Eu mesmo já passei por situações absurdas assim mais de uma vez e conheço pelo menos mais uns 4 casos de abusos do mesmo tipo. Para não alongar muito, cito alguns serviços que podem gerar esse tipo de problema, o serviço que possibilita o uso de internet discada sem ocupar a linha telefônica e o uso de adsl, para ter o segundo é preciso retirar o primeiro antes. Como todos que já tentaram desistir de um serviço devem saber, contratar um serviço pode ser rápido, desde que não seja necessário tirar outro antes. Qualquer tentativa de tirar um serviço na sua linha telefônica se mostra uma maratona de paciência com as desculpas dos operadores de telemarketing e seu insuportável gerundismo (“vamos estar atendendo sua solicitação…”, “o serviço estará sendo disponibilizado em…” e outras pérolas), “musicas de elevador” entre uma mudança e outra onde terá de explicar tudo do início novamente, além de se identificar e outras estratégias para cansar quem tenta deixar um serviço. A lista seria maior, como instalação de nova linha, escolha de plano e requisição de adsl, uma outra combinação explosiva.

O que fazer? A quem recorrer? “Ao Papa”, diriam uns, mas acredito que os órgãos competentes podem e devem fazer algo, se não acredita, sem reclamação posso garantir que nada farão e ainda terão como justificar os pedidos absurdos dessas empresas para nos explorar cada vez mais. A Anatel, o Procon e a Decon (onde existe) servem justamente para isso. Estou documentando o que acontece para apresentar uma reclamação, logo após o serviço se estabilizar, claro, não quero ficar sem o serviço, já que pago, e muito caro, por ele. Quando é possível, mudo para a concorrência (nesse caso específico, infelizmente, não há essa possibilidade), como já fiz com operadora de celular, não atendeu, procuro quem possa fazê-lo.

Mais gente reclamando, inclusive do atendimento, obriga a uma estrutura melhor, que pode ficar tão cara que justique melhorias para diminuir a reclamação. Eu notei algumas diferenças em alguns aspectos do atendimento, provavelmente provocado pelas reclamações. Apesar de ainda me identificar, ainda ter de explicar o problema quando muda de operador, percebi que mudei menos de operador e que a identificação não exige mais código de área e telefone, nem confirmação de dados cadastrais. Me economizou mais de 30 minutos só nessa parte, com certeza.

Exigir meus direitos afinal, não é algo ruim nem que eu deva me envergonhar de fazer. Nem acho que vou passar por chato, como muitas vezes assisto e até me deprime, a pessoa que reclama tanto que passamos a “torcer” pela empresa e não pelo consumidor, isso fora aqueles que são desnecessariamente grossos e autoritários. Ainda presos a uma cultura retrógrada que domina muita gente em nosso país, eu falo mais alto devo conhecer alguém, se conheço alguém devo ser importante e assim vai. Continuo apenas querendo o serviço, pelo qual vou pagar, não é um favor que a empresa me presta, que fique claro, com qualidade, sem isso, ninguém merece.

Categorias:Opinião