O bem e o mal

Fora os fanáticos (esses não importa de que lado estão, normalmente não têm argumentos muito bem fundamentados ou a imparcialidade necessária) pela gigante do software de Redmont, a maioria concorda que as práticas da Micro$oft são predatórias no mercado, vide casos antigos como Netscape ou recentes como a condenação na União Européia. Afinal de contas é uma empresa e não uma obra de caridade, certo? O que poderíamos esperar, se tiver como derrubar o adversário antes que ele nos derrube, assim será feito.

Não sou muito fã da Micro$oft (até pela forma como grafo o nome fica claro), mas também estou longe de ser um fanático, um inimigo ou coisa parecida. Uso Linux sim, mas não só Linux, uso Windows também, aliás, no trabalho nem tenho outro sistema para escolher. Apesar disso reconheço o talento que a empresa tem, como maior companhia de software do mundo, e competência em diversas áreas. É conhecida principalmente pelo Windows, que além de fazer a empresa grande, poderosa e famosa, proporcionou o espaço necessário para o que provavelmente será seu ganha-pão no futuro. Os outros softwares, principalmente o Office, hoje, que apesar dos ótimos exemplos de suítes grátis e de muita qualidade, continua sendo, de longe, a melhor suíte de escritório do mundo.

O que fez a Microsoft chegar onde chegou foi a visão de futuro, mais de Bill Gates que de qualquer outro, de que todos acabariam tendo um PC em casa. Investir no DOS que a IBM lhe vendeu tão barato e transformar o então já MS-DOS em sucesso. Com o Windows, e sua interface copiada do sistema da Apple, a coisa deslanchou. Era entregar o que as pessoas queriam, isso era claro. Versatilidade do sistema da IBM, facilidade de uso do Mac e finalmente contar com a queda de preço dos PC’s, o que espantou a concorrência maciça da Apple.

Hoje o Windows já não é mais aquele, praticamente a única opção do mercado, os Mac’s estão muito mais baratos, mas os PC’s ainda mais, há sistemas com facilidade de uso tanto quanto do Windows ou mais, mas ainda desconhecidos do grande público (é aqui que os fãs do pingüim me cruficicam, mas conheço pessoas que até gostam de computador, até tentam, mas quando vêem que o Linux é diferente, pedem pra voltar para o velho e “bom” Windows). Mas o medo da mudança, a necessidade de ter que aprender de novo algumas coisas, fazem dele a opção da maioria, o que gera um ciclo vicioso onde o que tem a base instalada se mantém, independente de sua qualidade intrínseca.

A Micro$oft já travou muitas batalhas e vinha ganhando todas de forma arrasadora e talvez por isso hoje pareça uma empresa tão diferente, o mundo não é mais o mesmo, graças a ela também, e não é mais tão fácil se manter no controle de tudo. Ainda mais quando esse tudo quer dizer tudo mesmo. Mercado de sistemas operacionais, vários tipos de software para as mais variadas funções, antes deixados pela Micro$oft em outras mãos, como música, vídeo, proteção e segurança, jogos, hardware (consoles de jogos, joysticks, players) e por aí vai. Como sempre correu para ganhar, está numa batalha feroz contra a antes toda-poderosa dos consoles, Sony, ainda sem um destino para o mercado, o XBox360 e o Playstation 3 tem muito o que brigar.

O Office é o melhor do mundo, mas extremamente caro e com funções que 90% do seu público não usa no dia-a-dia, não justificando sua compra, enquanto a concorrência distribui grátis. Muito mais por inércia que outra coisa, o Office continua, no Brasil com uma mãozinha da pirataria (que cá entre nós é bem interessante para própria Micro$oft, já que ela mesma não combate a sério, melhor ter uma base instalada que não pague para que as grandes corporações e o governo paguem). O mercado de segurança tem muitos rivais, alguns de muito peso, como a Symantec e McAfee, ainda falta muito para uma definição. Na internet, depois de “superar”o Netscape, reinou absoluta por muito tempo, fazendo padrões em desacordo com a W3C (organismo internacional que determina os padrões da internet, para que todos possam ter como usar), e outros abusos que só com mais de 98% de participação é possível. Mas o Firefox anda tirando o sono da euipe de internet deles, ganhando terreno e se mostrando melhor e mais flexível, além de mais seguro, para quem usa, não há melhor.

Mas a briga feia mesmo é dos sistemas operacionais. O Linux se tornou, na visão do “novo” CEO, um inimigo a ser combatido, no melhor estilo “Dick Vigarista”. Mentiras espalhadas na net, suposições ditas em palestras e eventos de repercussão, são parte da estratégia. Um site dedicado a contar “anedotas” sobre como o usuário pode saber a verdade sobre como o Linux não funciona, é complicado, o Windows só tem casos de sucesso, várias pessoas fizeram a migração para o Linux e retornaram ao Windows porque ele não é bom e é mais caro por causa do treinamento e suporte e outras dessas seria um exagero, mas existe.

Para os fanáticos dos dois lados, achos que seus líderes os abandonaram. Bill Gates, após deixar de ser o CEO da empresa, já disse muitas coisas favoráveis sobre o Linux, mais uma vez demonstrando sua visão, ele sabe que o Linux é melhor e mais estável e também que a Micro$oft não depende do Windows para sobreviver. Linus Torvalds (pai do Linux) não se mostra em momento algum preocupado com o Windows e nem se dedica a criticá-lo. Em algumas entrevistas evita o assunto, apesar de sempre ser perguntado sobre isso em algum aspecto. O Windows não é importante para ele, o kernel do Linux, sim.

Onde isso tudo vai parar? Por que o título do artigo seria O bem e o mal? Se até agora pareceu que o a Micro$oft é personificação do mal e o Linux é bonzinho, acho que você se enganou. Se fosse, quando citei o CEO da empresa não teria dito que o estilo dele é o do Dick Vigarista, teria dito Darth Vader, isso seria ser mal. Acho ele mal intencionado, mas muito atrapalhado, palhaço e canastrão. Coloquei esse título porque é difícil identificar onde está o bem e onde está o mal. Uma das empresas que mais preocupa a Micro$oft, apesar de tudo o que já falei aqui, ainda não citei, o Google. Está ameaçando vários territórios dominados e outros ainda por dominar, com serviços inovadores e grátis para o usuário, criando necessidades como muito bem faz a Apple, além de começar a distribuir os serviços de Office online (plano da Micro$oft há alguns anos já) na frente da rival. Então aí está o mal… alguém mais apressado já concluiria. Porém aí também não está, pelo menos não de forma clara.

Sou usuário de vários serviços Google e de alguns dos softwares que necessitam de instalação também. Longe de mim afirmar que o mal está lá, mas vendo alguns movimentos, me pergunto, e não posso deixar de me perguntar, onde isso nos leva? Tais práticas e tantas guerras são a saudável concorrência que sempre é melhor para o consumidor? A melhor empresa ou o melhor serviço ficarão por cima? Muitas vezes parece que não. Acho q o bem e o mal estão nas pessoas, tanto dessas empresas como as que estão em suas casas. Desde desenvolvedores a usuários (o que acaba incluindo os desenvolvedores, porque eles também usam computadores, internet, etc), quem pode dizer que a visão que fez os PC’s populares é algo ruim? Que a usabilidade proposta pela Apple (que hoje fascina tanto com o iPod e o iPhone, não só mais o MacOS e o Macintosh) é ruim? Seria então facilitar o processo de encontrar algo específico nesse universo que a internet se tornou? Ou o espírito colaborativo onde milhares de pessoas no mundo inteiro aprimoram softwares sem cobrar nada e com tal rapidez (correções de falhas de segurança no Linux não levam nem 10% do tempo que levam no Windows) e qualidade (quem se impressionou com o visual Aero do Vista não sabe onde ele foi inspirado, o Linux já possui esse tipo de ferramenta há anos e ainda não é nem o começo, muito mais avançado) que desafiam as leis do capitalismo e a sensação geral de aumento crescente do individualismo?

Todos os lados dessa briga tem bons e maus, o bem e o mal estão no uso dado a cada uma das idéias e ferramentas apresentadas ou citadas aqui. Para muitas coisas isso é natural de se ver, para outras a discussão é sempre acalorada e polêmica como com armas, facas não precisam de regulamento e ninguém questiona, mas armas de fogo são outra coisa, além de precisar de regulamentação, há muitas opiniões diferentes a respeito de como deveria ser esse regulamento. Mas no fundo, o uso da ferramenta que pode ser bom ou mau, a ferramenta em si não tem o poder de ser. Assim como as empresas que não são boas ou más, são feitas de pessoas e essas sim são boas ou más. A Micro$oft, por exemplo, pela revista Forbes, estaria em 4º lugar entre as melhores empresas para executivos. Boa para uns e ruim para outros? Talvez, o que importa é que são as pessoas e não as marcas ou empresas ou ferramentas que fazem o bem e também o mal.

  1. agosto 31, 2007 às 9:34 pm

    Bom artigo e, basicamente diz o que eu sempre repito: é preciso ter um lado, mas é importante saber tirar o melhor de tudo que nos é oferecido. O Linux atende às minhas exigências, mas um dia, o windows também atendeu.

  2. San
    setembro 5, 2007 às 6:40 pm

    Não conheço bem o Linux, mas nunca tive dificuldades com Windows, talvez conhecendo uma outra opção deva aceitar outras ferramentas que provavelmente venham suprir minhas necessidades.
    Acho q nesse mundo, muitas coisas ainda vão mudar!

    Acho mesmo é q conheci esse mundo tarde, mas acho legal quem tem interesse por isso, eu não tenho tanto, mas admiro quem tenha.

    Se eu não te conhecesse, diria q você tem algo pessoal com o “pobrezinho” do Bill..rs

  3. miguel
    novembro 21, 2007 às 6:03 pm

    Olá.. o artigo está fixe, partilho de certa forma da mesma opinião, mas tens aí umas cenas erradas:
    “Investir no DOS que a IBM lhe vendeu tão barato e transformar ”
    O Dos não era da IBM, e foi com a IBM que o bill fez o contracto que licenciava o MSDOS, portanto o DOS nunca poderia ter sido deles…

    Era só para corrigir😉

  1. outubro 3, 2007 às 8:50 pm

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