Farinha pouca, meu pirão primeiro

Posted Outubro 3, 2007 by teseu
Categories: Opinião, Software Livre, Software Proprietário

É fácil entender a motivação por trás de empresas que produzem software, a produção tem custos altos com equipamentos e principalmente com mão-de-obra. Entregar o produto de todo esse investimento de “mão beijada”, assim, sem mais nem menos, seria completamente contra o capitalismo e o lucro. Tanto é que a maioria desses “nerds” que defendem o software livre nem trabalha, pelo menos essa é a idéia corrente em muitos meios que defendem, muitas vezes sem saber muito o porquê, já que a pessoa que defende esse tipo de idéia normalmente também é a que paga por, software proprietário. Não vejo qual o ganho pessoal, parece que defende ideais da mesma forma que os “nerds” e ainda paga por isso, não me parece muito inteligente.

Esse modelo parece ser o mais sensato e lógico, mas tenho algumas considerações a respeito. Uma coisa importante que passa batido quando as pessoas falam desse assunto, seja por não conhecer a história, seja por querer ver apenas um lado, é que o desenvolvimento de software, nos seus primórdios, seguia o modelo que hoje reconhecemos como software livre. Os programadores trabalhavam em projetos diferentes, de empresas diferentes, de universidades diferentes e as soluções encontradas eram partilhadas, de forma que o todo crescia mais rápido, sendo um bom exemplo de sinergia (ainda bem que já está fora de moda a palavra, muita gente usa isso para tudo), onde o todo é maior que a soma das partes.

Além de comum era o esperado, mas com o “florescimento” de grandes empresas de software e com a adoção das leis de propriedade intelectual sendo associadas a software o modelo mudou, e muito. Como o próprio software é algo relativamente novo, não acredito que muitos ângulos tenham sido estudados. Somente com a popularização da idéia por trás do software livre é que essa noção começou a mudar. É claro que é bom ressaltar que software livre não é Linux, ajudou muito nessa popularização, mas tem muito mais, a GPL é muito mais abrangente e fala mais sobre liberdade, como já disse aqui uma vez.

Ouvindo umas opiniões muito interessantes sobre o assunto, já que a discussão no Brasil parecia que nunca ia acontecer, mas com a “preferência” do Governo Federal por software livre isso acabou sendo obrigatório, percebi que as vantagens dos dois modelos não precisam necessariamente conflitar. O software livre é um caminho sem volta que tende a tomar os espaços em softwares de massa, como Sistemas Operacionais, Suítes de Escritório, aplicativos diversos de produtividade, edição de imagens, som, vídeo e a lista continua e é bem grande. Mas existe um nicho que o software livre terá muita dificuldade de penetrar, os softwares customizados, como vários tipo de ferramenta de gerência (BI, que embora tenha em versões de software de massa, isso não se aplica a muitas organizações).

Além disso, há várias empresas que estão subindo no mercado com idéias inovadoras nesse quesito. A Red Hat, distribui Linux com mesmo nome e patrocina vários aspectos do Fedora, já deixou a NASDAQ (o equivalente da bolsa de valores, mas para empresas de TI, quase todas de internet) e colocou suas ações, que não param de subir, na bolsa de valores de Nova Yorque. Aí alguém diria, mas ela vende o Linux dela e a um preço muito similar a versão completa do Windows Server. Sim, mas qualquer um pode conseguir (legalmente, o que muito melhor) uma versão bastante similar, com funcionalidades semelhantes e até aparência semelhante de graça. Então porque alguém pagaria? Suporte. É onde muitos dizem que o custo total do Linux é maior (na verdade a maioria dos que dizem isso estão de alguma forma ligados à Micro$oft, empresas como a IBM e Sun têm números bem diferentes, o que torna os resultados obtidos pela Micro$oft no mínimo discutíveis), mas isso é outro assunto.

Diante disso, acho que a colaboração e o ganho, lucro mesmo, não precisam necessariamente em lados opostos. Quando as opiniões são muito acirradas, a chance de estarem erradas é bem grande. O idealismo fora de controle de alguns que esquecem que a movimentação da engrenagem depende do dinheiro e continuará assim, seria muita ingenuidade pensar diferente. Por outro lado o discurso que ninguém são acredita, a não ser a mãe do Ballmer e os ingênuos, que não deixa de lembrar os das grandes gravadoras que acham que vão vencer e acabar com o mp3 (eles sabem que não, mas nunca falariam isso em público). Se apenas meu pirão tiver farinha, muita gente passa fome.

Navegar é preciso

Posted Setembro 27, 2007 by teseu
Categories: Internet, Mercado, Opinião

Ainda por conta do problema que já coloquei aqui com a companhia telefônica* e sua presteza em me atender, estou sem acesso à internet em casa, o que prejudica muito a freqüência com que posso postar alguma coisa. Poderia, claro, ao pensar num assunto de interesse, para compartilhar com outras pessoas, escrever em casa (o computador não tem problema nenhum, funciona que é uma beleza, só não se conecta, não tenho placa faxmodem para conectar pela discada e a linha não “tem disponibilidade” no momento para conexão ADSL), num editor de texto, até numa versão offline do wordpress para saber como fica no final.

Mas sabe que descobri não ser a mesma coisa? As atividades que hoje tenho no computador mudaram tanto que nem me reconheço. Tanta coisa que fazia, corriqueiramente, agora sem a internet parecem meio sem graça, não só a falta de navegar mesmo, de procurar coisas novas, mas trabalhar no site offline, que é necessário para os testes que faço antes de colocar no ar (um portal de linux que mantenho junto com amigos), agora são mais difíceis. Outras coisas que raramente fazia e hoje não parecem estranhas mais, como ver vídeos e filmes, ler livros inteiros. “Naquela tela?”, diriam alguns, eu também acho, mas está divertido fazer isso agora. Simplesmente está divertido, o que mais posso dizer?

Tem alguns textos e revistas virtuais que acompanho, acho a leitura mais simples agora, apesar de baixar a revista enquanto estou no trabalho, guardar no pendrive e só ler depois de organizar as coisas em casa (tem umas 5 ou 6 que ainda não li, levei várias e ainda tinha outras, de quando podia contar com a internet) .

Alguns textos, justamente por serem direcionados a usuários de computador que estão diante dele no momento da leitura, trazem links, essa parte eu perco, porque não posso acessar no momento que os vejo e me esqueço de procurar por isso quando chego ao trabalho. Porém quase sempre isso não é necessário para o entendimento, apenas um complemento e também tem pouca coisa que o texto quer dizer e não está ali já escrito, uma grande vantagem. Já que algumas das coisas que deixei de ler foi justamente por isso, me acostumei (até demais) com o Google, dúvidas? dá uma googlada que passa. Tirava as dúvidas e nem sequer me dava ao trabalho de anotar a solução, uma vez que o oráculo parecia estar sempre ali, ao alcance de um clique.

Agora para ler coisas que dependem de internet, precisa ter tempo enquanto estou no trabalho, o que nem sempre é verdadeiro, para escrever aqui, idem. Aí vejo a falta que a internet faz, já me conformei como desplugado, desconectado, com minha nova vida offline. Não é ruim ser assim, aproveito o tempo de outra forma, mas sei das facilidades que perdi. Sei que ainda não estou preparado para viver longe da tecnologia, mas também sei que não dependo dela como imaginava, há um meio termo que não é muito diferente do que havia imaginado que fosse. Pensando assim parece até que me libertei de um mal qualquer, o que não é o caso, para quem não sabe dosar, para quem deixa a vida virtual tomar espaço da vida real isso é um problema e eu estou vivendo justamente o oposto disso agora, conheço a tecnologia e gosto dela, apenas não tenho o acesso no momento.

Se alguém acha que estou em apuros, recomendo que se desligue da internet um pouco também, mal não vai fazer, garanto. Mas se é justamente o contrário, acha que agora que começo aviver ou aproveitar o que avida tem de melhor, aí a recomendação é para parar de ter medo dos computadores, eles não mordem e nem tudo o que você fizer vai invariavelmente destruir todos os dados que o computador contém além de espalhar um vírus mortal em toda a rede do planeta. Além disso, do perigo não ser assim tão grande (é sempre bom lembrar, o risco existe, apenas não é tão grande como pintado, nem também é tão pequeno como os que usam windows por opção ou por falta de conhecimento gostariam que fosse**), você pode se surpreender com o número de coisas interessantes que se pode fazer com um computador e pode até gostar, não custa tentar.

P.S. Algumas observações importantes:

* A indisponibilidade de ADSL informada pela BrasilTelecom, segundo eles, se deve a 2 fatores, falta de portas disponíveis na central que atende o lugar onde moro, cancelei uma linha e comprei outra, a pessoa que compartilhava a conexão comigo numa rede para os 2 computadores em casa comprou depois de mim e já tem ADSL.

O outro fator é a distância da casa até a central, superior a 3 km o que inviabiliza a habilitação da linha. Apesar de saber que essa distância é de 2 km ou menos, sei onde ficam as 2 (minha casa, óbvio, e a central), acho essa explicação mais plausível. O problema é que talvez com medo que eu não completasse o cadastro da linha telefônica (você só pode saber da disponibilidade de ADSL se contratar a linha telefônica e ela estiver funcionando, uma falta de respeito, já que eles dão a informação, depois da linha instalada pelo CEP) e depois com medo que eu a cancelasse, foi muito difícil que alguém me dissesse que esse problema da distância era uma das possibilidades. Bom saber o motivo real (se for esse mesmo), mas ruim saber que não há a menor previsão de quando poderiam me atender.

** O risco de se usar o windows na internet não se refere apenas à navegação irresponsável, abrir arquivos de fontes desconhecidas e outras práticas arriscadas. Um computador rodando windows XP SP2 não é seguro ao se conectar nem por meia hora, sem sequer abrir o navegador, só por estar conectado. Qualquer pessoa que acompanha blogs de notícias de informática já ouviu falar de brechas de segurança, qualquer sistema que esteja em uma rede (a internet é uma rede também) é vulnerável. Não é uma questão de ser passional, são fatos.

Eu não sou daqueles que adora o Linux e por isso odeia a Micro$oft (como já disse aqui e apesar de grafar o nome da empresa com um cifrão, apenas por ser a marca registrada dela), uso os 2 sistemas. Só que quando vou navegar na internet prefiro, por razões de segurança, usar sempre o Linux. Poderia dizer que é porque nunca tive problemas fazendo assim, mas isso seria muito pouco. Não conheço nem ouvi falar de que alguém tenha conseguido, mesmo com um comportamento considerado irresponsável no windows, prejudicar seu sistema navegando com Linux, já o contrário, mesmo com todas as precauções não é garantido.

Opiniões inflamadas à parte, vou tentar assegurar que meu computador continue funcionando bem e os dados dentro dele estejam a salvo.

O Eixo do Mal

Posted Setembro 12, 2007 by teseu
Categories: Opinião, Política

Recentemente, uma decisão da empresa americana Dell gerou polêmica entre a comunidade científica brasileira. Um físico da Universidade Federal Fluminense – UFF, comprou dois computadores da empresa. Recebeu num contato após a compra, um termo de compromisso no qual o pesquisador se comprometia a não transferir, exportar ou re-exportar os produtos adquiridos para o “Eixo do Mal”, para qualquer estrangeiro com dupla nacionalidade, natural ou residente dos países em questão; não utilizar os produtos para qualquer atividade ligada a armas de destruição em massa de qualquer tipo ou transferi-los para qualquer pessoa ou grupo envolvidos nessas atividades; e nem transferir os computadores para qualquer pessoa ou grupo embargados pelo governo dos Estados Unidos.

O Eixo do Mal referido no termo, claro, é o que o presidente dos EUA, George W. Bush, assim classifica, constituído por: Cuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão e Síria. Uma vez que quem negociou a compra dos PCs foi um colega do físico, que é cubano e mora no Brasil há anos, a empresa se sentiu obrigada pelo governo americano a exigir a assinatura do termo, alegando que poderia sofrer represálias.

O mesmo físico já havia comprado outros computadores da Dell anteriormente sem o problema, ora, se a empresa vende seus produtos sem essa exigência. Ao que parece, o fato da negociação ter sido intermediada por um colega do físico, que é cubano, motivou a atitude, e não qualquer pressão do governo norte-americano, ou a empresa faria todas as vendas da mesma forma, ou pelo menos para qualquer país que tenha relações com algum do Eixo.

Vários cientistas sugeriram boicote aos produtos da empresa, alguns foram além, sugerindo boicote a produtos norte-americanos. Sendo como for, a decisão do governo dos EUA de boicotar, inclusive obrigando (naõ sei se realmente obriga, a Dell não é santa) as empresas com sede em seu território a participarem, provavelmente não é a melhor maneira de atingir o Eixo, se é que existe um.

A política externa do governo Bush não poderia ser mais equivocada. Está baseada numa premissa correta, a economia dos EUA é a maior do mundo e dita o humor do mercado. Todo mundo sabe que isso é verdade, claro que eles também sabem, é a lógica, quem acompanha o episódio da atual crise mundial, apenas porque o mercado imobiliário deles está mal, pode ver isso com bastante clareza. Mas isso é assunto para outro post.

Baseado nessas premissas, Bush faz uma política externa que exclui o resto do mundo de qualquer decisão sobre sua política externa. Boicota quem quiser, faz guerra com quem bem entender, invade se achar necessário e por aí vai. Desde o final da Segunda Grande Guerra que os EUA adotaram o posto de “polícia do mundo”, mas isso tem chegado a extremos onde não é aquilo que parece ser consenso que eles defendem, como poderia parecer numa visão mais ingênua, onde eles ajudam a manter a democracia no mundo. Muito pelo contrário, eles mantém as democracias ou regimes totalitários que forem de importância econômica para eles.

Até aí não tem nada demais, ou pelo menos nada que quase qualquer outro país do mundo não faria se estivesse na mesma posição. O que os torna diferentes é que sua política é predatória. Vários impérios já dominaram o mundo ao logo da história, como hunos, chineses, cartagineses, persas, hititas, egípcios, gregos, romanos, só para citar os que me vieram à mente agora. Desses, os que fizeram sucesso por mais tempo, ou eram isolados ou tinham uma característica em comum, o domínio era mais econômico que político. Os países dominados continuavam com sua cultura, seus deuses, sua moeda, em muitos casos até com seus governantes. Era isso que mantinha a unidade, o pagamento de tributos era suficiente para o império dominante e justificava a aquisição de cada vez mais terras.

Na sua cruzada, Bush tem cometido absurdos em nome de sua política externa. A perseguição a Bin Laden fere a soberania do Afeganistão, mas para eles não há outro país que tenha essa característica, soberania. A guerra contra Sadan, que existe mesmo gente que acredita que era para depor o regime, suprimir a ameaça terrorista (Papai Noel também estava muito angustiado, mostrou isso em carta dirigida ao Coelhinho da Páscoa) que acabou por “exigir” a presença do exército até o final da transição do governo, aliás, o problema não é em que acabou e sim que não acabou coisa nenhuma.

Quer dizer que acho que Bin Laden não é um terrorista perigoso e deve ser deixado em paz? Não, muito pelo contrário, ele deveria ter sido deixado em paz há uns 20 anos, quando a CIA o recrutou e treinou para prejudicar a então poderosa União Soviética. Aí o problema de hoje não seria esse, nem teria esse tamanho ou repercussão. Clássico exemplo onde o feitiço se volta contra o feiticeiro.

Não sou anti-americano, até porque, na minha opinião, americano é quem vive na América e isso não quer dizer EUA, mas o continente americano. Também não sou anti-americano no sentido mais restrito, contra os EUA, até sou simpático a eles, mas tudo tem limite, uma coisa é ser simpático e outra é deixar de ser patriota. Muitas pessoas tem vergonha de ser brasileiro, bem, não é o meu caso. O que me motiva a escrever isso não é esse tipo de sentimento, que acho até pobre, se quer realmente fazer algo, faça na arena deles, nada pior para eles que perder em seu próprio terreno, o capitalismo.

A motivação seria essa história toda em volta do Eixo do Mal, querendo fazer alusão às duas guerras mundiais, comparando ao nazismo e tentando levar as pessoas a acreditar que os EUA lutam pela liberdade. Nem quem lê história em quadrinho cai nessa mais. Para mim pode até existir um Eixo do Mal, mas quem procura nos países indicados pelo Bush deve estar procurando no lugar errado. Para mim o país da liberdade é aqui, onde eu posso tudo que a lei não me proíbe.

Ninguém merece…

Posted Setembro 5, 2007 by teseu
Categories: Opinião

As empresas de telefonia são conhecidas pelo mau atendimento e pelos serviços de má qualidade, onde a concorrência é menor o problema é maior. Já tive meus problemas, mas pensei que minha cota tinha acabado por esse ano, pelo menos. Não poderia estar mais enganado.

Imagine a seguinte situação, indo a um prestador de serviços qualquer, mesmo ramo das empresas de telefonia, tivesse de contratar um serviço de cada vez, mesmo sabendo o que quer desde o início. Como contratar um técnico de informática para consertar seu micro:

- Para consertar tem de abrir.

- Tudo bem, pode abrir.

- Bom, vou abrir um chamado para retirada dos parafusos, até amanhã o Sr. deve ser atendido, então pode entrar em contato novamente e pedir para que um técnico venha retirar a tampa. Normalmente isso ocorre em até 3 dias úteis, não mais que isso.

- Mas não posso pedir para abrir simplesmente, vou precisar dos 2 serviços, a empresa pode chamar os técnicos, vou pagar por tudo.

- Infelizmente não é possível, porque só posso abrir o chamado para a retirada da tampa depois que o chamado referente à retirada dos parafusos estiver concluído, o sistema não permite abrir um novo chamado com esse pendente. O Sr. deve abrir o chamado para retirada da tampa em até 5 dias ou terá de reiniciar o processo.

- Mesmo com os parafusos já retirados?

- Sim, porque o chamado se fecharia automaticamente e o técnico não poderia saber que os parafusos foram retirados.

- Mas eles estariam retirados, eu mesmo posso atestar isso.

- Mas no sistema constaria como pendente novamente, Sr.

Assim seguiriam as argumentações do consumidor de um lado e as desculpas da empresa de outro e nunca acabaria, não de modo satisfatório. Provavelmente a culpa de tais serviços serem encadeados deve ser do consumidor, ou a empresa poderia registrar todo o pedido e arcar com a própria burocracia, jamais passaria esse encargo ao consumidor, que afinal de contas é quem paga a concessionária. Concessionária, é bom lembrar dessa parte também, tem apenas uma permissão do governo para atuar nesse ramo e age como se fosse dona absoluta, e a maioria dos consumidores não reclama, o que faz valer a pena atender mal.

O diálogo fictício e absurdo com o técnico de informática, parece impossível, mas não é quando se trata de empresas de telefonia. Eu mesmo já passei por situações absurdas assim mais de uma vez e conheço pelo menos mais uns 4 casos de abusos do mesmo tipo. Para não alongar muito, cito alguns serviços que podem gerar esse tipo de problema, o serviço que possibilita o uso de internet discada sem ocupar a linha telefônica e o uso de adsl, para ter o segundo é preciso retirar o primeiro antes. Como todos que já tentaram desistir de um serviço devem saber, contratar um serviço pode ser rápido, desde que não seja necessário tirar outro antes. Qualquer tentativa de tirar um serviço na sua linha telefônica se mostra uma maratona de paciência com as desculpas dos operadores de telemarketing e seu insuportável gerundismo (“vamos estar atendendo sua solicitação…”, “o serviço estará sendo disponibilizado em…” e outras pérolas), “musicas de elevador” entre uma mudança e outra onde terá de explicar tudo do início novamente, além de se identificar e outras estratégias para cansar quem tenta deixar um serviço. A lista seria maior, como instalação de nova linha, escolha de plano e requisição de adsl, uma outra combinação explosiva.

O que fazer? A quem recorrer? “Ao Papa”, diriam uns, mas acredito que os órgãos competentes podem e devem fazer algo, se não acredita, sem reclamação posso garantir que nada farão e ainda terão como justificar os pedidos absurdos dessas empresas para nos explorar cada vez mais. A Anatel, o Procon e a Decon (onde existe) servem justamente para isso. Estou documentando o que acontece para apresentar uma reclamação, logo após o serviço se estabilizar, claro, não quero ficar sem o serviço, já que pago, e muito caro, por ele. Quando é possível, mudo para a concorrência (nesse caso específico, infelizmente, não há essa possibilidade), como já fiz com operadora de celular, não atendeu, procuro quem possa fazê-lo.

Mais gente reclamando, inclusive do atendimento, obriga a uma estrutura melhor, que pode ficar tão cara que justique melhorias para diminuir a reclamação. Eu notei algumas diferenças em alguns aspectos do atendimento, provavelmente provocado pelas reclamações. Apesar de ainda me identificar, ainda ter de explicar o problema quando muda de operador, percebi que mudei menos de operador e que a identificação não exige mais código de área e telefone, nem confirmação de dados cadastrais. Me economizou mais de 30 minutos só nessa parte, com certeza.

Exigir meus direitos afinal, não é algo ruim nem que eu deva me envergonhar de fazer. Nem acho que vou passar por chato, como muitas vezes assisto e até me deprime, a pessoa que reclama tanto que passamos a “torcer” pela empresa e não pelo consumidor, isso fora aqueles que são desnecessariamente grossos e autoritários. Ainda presos a uma cultura retrógrada que domina muita gente em nosso país, eu falo mais alto devo conhecer alguém, se conheço alguém devo ser importante e assim vai. Continuo apenas querendo o serviço, pelo qual vou pagar, não é um favor que a empresa me presta, que fique claro, com qualidade, sem isso, ninguém merece.

O bem e o mal

Posted Agosto 31, 2007 by teseu
Categories: Micro$oft, Opinião, Software Proprietário

Fora os fanáticos (esses não importa de que lado estão, normalmente não têm argumentos muito bem fundamentados ou a imparcialidade necessária) pela gigante do software de Redmont, a maioria concorda que as práticas da Micro$oft são predatórias no mercado, vide casos antigos como Netscape ou recentes como a condenação na União Européia. Afinal de contas é uma empresa e não uma obra de caridade, certo? O que poderíamos esperar, se tiver como derrubar o adversário antes que ele nos derrube, assim será feito.

Não sou muito fã da Micro$oft (até pela forma como grafo o nome fica claro), mas também estou longe de ser um fanático, um inimigo ou coisa parecida. Uso Linux sim, mas não só Linux, uso Windows também, aliás, no trabalho nem tenho outro sistema para escolher. Apesar disso reconheço o talento que a empresa tem, como maior companhia de software do mundo, e competência em diversas áreas. É conhecida principalmente pelo Windows, que além de fazer a empresa grande, poderosa e famosa, proporcionou o espaço necessário para o que provavelmente será seu ganha-pão no futuro. Os outros softwares, principalmente o Office, hoje, que apesar dos ótimos exemplos de suítes grátis e de muita qualidade, continua sendo, de longe, a melhor suíte de escritório do mundo.

O que fez a Microsoft chegar onde chegou foi a visão de futuro, mais de Bill Gates que de qualquer outro, de que todos acabariam tendo um PC em casa. Investir no DOS que a IBM lhe vendeu tão barato e transformar o então já MS-DOS em sucesso. Com o Windows, e sua interface copiada do sistema da Apple, a coisa deslanchou. Era entregar o que as pessoas queriam, isso era claro. Versatilidade do sistema da IBM, facilidade de uso do Mac e finalmente contar com a queda de preço dos PC’s, o que espantou a concorrência maciça da Apple.

Hoje o Windows já não é mais aquele, praticamente a única opção do mercado, os Mac’s estão muito mais baratos, mas os PC’s ainda mais, há sistemas com facilidade de uso tanto quanto do Windows ou mais, mas ainda desconhecidos do grande público (é aqui que os fãs do pingüim me cruficicam, mas conheço pessoas que até gostam de computador, até tentam, mas quando vêem que o Linux é diferente, pedem pra voltar para o velho e “bom” Windows). Mas o medo da mudança, a necessidade de ter que aprender de novo algumas coisas, fazem dele a opção da maioria, o que gera um ciclo vicioso onde o que tem a base instalada se mantém, independente de sua qualidade intrínseca.

A Micro$oft já travou muitas batalhas e vinha ganhando todas de forma arrasadora e talvez por isso hoje pareça uma empresa tão diferente, o mundo não é mais o mesmo, graças a ela também, e não é mais tão fácil se manter no controle de tudo. Ainda mais quando esse tudo quer dizer tudo mesmo. Mercado de sistemas operacionais, vários tipos de software para as mais variadas funções, antes deixados pela Micro$oft em outras mãos, como música, vídeo, proteção e segurança, jogos, hardware (consoles de jogos, joysticks, players) e por aí vai. Como sempre correu para ganhar, está numa batalha feroz contra a antes toda-poderosa dos consoles, Sony, ainda sem um destino para o mercado, o XBox360 e o Playstation 3 tem muito o que brigar.

O Office é o melhor do mundo, mas extremamente caro e com funções que 90% do seu público não usa no dia-a-dia, não justificando sua compra, enquanto a concorrência distribui grátis. Muito mais por inércia que outra coisa, o Office continua, no Brasil com uma mãozinha da pirataria (que cá entre nós é bem interessante para própria Micro$oft, já que ela mesma não combate a sério, melhor ter uma base instalada que não pague para que as grandes corporações e o governo paguem). O mercado de segurança tem muitos rivais, alguns de muito peso, como a Symantec e McAfee, ainda falta muito para uma definição. Na internet, depois de “superar”o Netscape, reinou absoluta por muito tempo, fazendo padrões em desacordo com a W3C (organismo internacional que determina os padrões da internet, para que todos possam ter como usar), e outros abusos que só com mais de 98% de participação é possível. Mas o Firefox anda tirando o sono da euipe de internet deles, ganhando terreno e se mostrando melhor e mais flexível, além de mais seguro, para quem usa, não há melhor.

Mas a briga feia mesmo é dos sistemas operacionais. O Linux se tornou, na visão do “novo” CEO, um inimigo a ser combatido, no melhor estilo “Dick Vigarista”. Mentiras espalhadas na net, suposições ditas em palestras e eventos de repercussão, são parte da estratégia. Um site dedicado a contar “anedotas” sobre como o usuário pode saber a verdade sobre como o Linux não funciona, é complicado, o Windows só tem casos de sucesso, várias pessoas fizeram a migração para o Linux e retornaram ao Windows porque ele não é bom e é mais caro por causa do treinamento e suporte e outras dessas seria um exagero, mas existe.

Para os fanáticos dos dois lados, achos que seus líderes os abandonaram. Bill Gates, após deixar de ser o CEO da empresa, já disse muitas coisas favoráveis sobre o Linux, mais uma vez demonstrando sua visão, ele sabe que o Linux é melhor e mais estável e também que a Micro$oft não depende do Windows para sobreviver. Linus Torvalds (pai do Linux) não se mostra em momento algum preocupado com o Windows e nem se dedica a criticá-lo. Em algumas entrevistas evita o assunto, apesar de sempre ser perguntado sobre isso em algum aspecto. O Windows não é importante para ele, o kernel do Linux, sim.

Onde isso tudo vai parar? Por que o título do artigo seria O bem e o mal? Se até agora pareceu que o a Micro$oft é personificação do mal e o Linux é bonzinho, acho que você se enganou. Se fosse, quando citei o CEO da empresa não teria dito que o estilo dele é o do Dick Vigarista, teria dito Darth Vader, isso seria ser mal. Acho ele mal intencionado, mas muito atrapalhado, palhaço e canastrão. Coloquei esse título porque é difícil identificar onde está o bem e onde está o mal. Uma das empresas que mais preocupa a Micro$oft, apesar de tudo o que já falei aqui, ainda não citei, o Google. Está ameaçando vários territórios dominados e outros ainda por dominar, com serviços inovadores e grátis para o usuário, criando necessidades como muito bem faz a Apple, além de começar a distribuir os serviços de Office online (plano da Micro$oft há alguns anos já) na frente da rival. Então aí está o mal… alguém mais apressado já concluiria. Porém aí também não está, pelo menos não de forma clara.

Sou usuário de vários serviços Google e de alguns dos softwares que necessitam de instalação também. Longe de mim afirmar que o mal está lá, mas vendo alguns movimentos, me pergunto, e não posso deixar de me perguntar, onde isso nos leva? Tais práticas e tantas guerras são a saudável concorrência que sempre é melhor para o consumidor? A melhor empresa ou o melhor serviço ficarão por cima? Muitas vezes parece que não. Acho q o bem e o mal estão nas pessoas, tanto dessas empresas como as que estão em suas casas. Desde desenvolvedores a usuários (o que acaba incluindo os desenvolvedores, porque eles também usam computadores, internet, etc), quem pode dizer que a visão que fez os PC’s populares é algo ruim? Que a usabilidade proposta pela Apple (que hoje fascina tanto com o iPod e o iPhone, não só mais o MacOS e o Macintosh) é ruim? Seria então facilitar o processo de encontrar algo específico nesse universo que a internet se tornou? Ou o espírito colaborativo onde milhares de pessoas no mundo inteiro aprimoram softwares sem cobrar nada e com tal rapidez (correções de falhas de segurança no Linux não levam nem 10% do tempo que levam no Windows) e qualidade (quem se impressionou com o visual Aero do Vista não sabe onde ele foi inspirado, o Linux já possui esse tipo de ferramenta há anos e ainda não é nem o começo, muito mais avançado) que desafiam as leis do capitalismo e a sensação geral de aumento crescente do individualismo?

Todos os lados dessa briga tem bons e maus, o bem e o mal estão no uso dado a cada uma das idéias e ferramentas apresentadas ou citadas aqui. Para muitas coisas isso é natural de se ver, para outras a discussão é sempre acalorada e polêmica como com armas, facas não precisam de regulamento e ninguém questiona, mas armas de fogo são outra coisa, além de precisar de regulamentação, há muitas opiniões diferentes a respeito de como deveria ser esse regulamento. Mas no fundo, o uso da ferramenta que pode ser bom ou mau, a ferramenta em si não tem o poder de ser. Assim como as empresas que não são boas ou más, são feitas de pessoas e essas sim são boas ou más. A Micro$oft, por exemplo, pela revista Forbes, estaria em 4º lugar entre as melhores empresas para executivos. Boa para uns e ruim para outros? Talvez, o que importa é que são as pessoas e não as marcas ou empresas ou ferramentas que fazem o bem e também o mal.

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Posted Agosto 30, 2007 by teseu
Categories: Opinião

Após ter várias páginas, nunca conseguir manter atualizadas e começar sempre outra, começo mais uma. Não sei ainda se vai em frente ou se fica largada como as outras, mas a idéia é ter uma forma rápida de comunicação, um blog mesmo, para falar de assuntos variados, nem vou definir por enquanto o que.

Como algumas das páginas que tenho tem alguma atualização, se quiser concentrar acaba tendo material, mesmo que muito disperso em termos de assunto. E sempre que puder vou falar alguma coisa do portal que ajudo a organizar, para dar uma força, porque lá quase sempre tem novidades interessantes ou simplesmente porque gosto do portal.

Espero poder definir em breve quem seria o público desse blog e assim também definir o assunto, ou melhor, assuntos principais e ter alguma coerência nisso tudo. Paraquem visitar, sinta-se à vontade e comente o que chamar sua atenção.