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Archive for the ‘Opinião’ Category

O verdadeiro avanço

junho 16, 2014 Deixe um comentário

Tem muito tempo sem nenhum post, comecei a priorizar outras coisas, muitas mudanças no trabalho, fazendo diversos cursos, uma filha, enfim, meu mundo virou de cabeça para baixo. Estava justamente pensando nisso esses dias, nunca mais nada escrito aqui, na verdade fora os registros que fiz sobre minha filha, nada em lugar algum.

Diversos assuntos que gostaria de comentar me chamaram a atenção durante esse tempo, mas ainda assim não consegui transformar essa vontade em texto.

Ainda que tenha sido dessa forma, o post atual não é fruto de um interesse maior no assunto, apenas coincidiu de reencontrar um assunto que vi no noticiário especializado e hoje, durante um intervalo entre atividades ver de novo, logo depois de mais uma vez lembrar que nunca mais tinha escrito nada.

A energia fluindo é sempre impressionante

A energia fluindo é sempre impressionante

O que vi e achei inesperado, mas de verdade uma decisão bem ponderada foi que que a Tesla Motors decidiu abrir mão de todas as suas patentes para que o desenvolvimento do carro elétrico possa aumentar o ritmo, fez um comunicado oficial da decisão em seu site. Parece loucura, já que eles produzem carros elétricos e “vivem disso”, porém precedentes importantes apontam em outra direção.

O desenvolvimento de software hoje parece mostrar o contrário disso, mas a maioria das linguagens de programação foram criadas num ambiente muito diferente. O movimento open source parece marginal nos dias atuais, mas antes era o comportamento padrão, todo software era compartilhado. Foi assim que tudo começou.

Na verdade foi assim que tudo começou para todos que se envolvem com tecnologia, porque o conhecimento é acumulado ao se observar o que outros fizeram, se nada fosse compartilhado não haveria programadores novos e ainda estaríamos usando cobol e assembly.

Claro que isso se trata de software e muita gente que conhece esses fatos apóia (por alguma razão desconhecida) o modelo atual de desenvolvimento de software, afinal como as empresas iriam sobreviver sem proteger sua propriedade intelectual? E mais, o que tudo isso teria a ver com patentes, já que os carros elétricos tem muito mais hardware do que software a ser protegido?

O modelo no fim das contas é o mesmo e o desenvolvimento de um setor como um todo é muito maior como ocorreu com o software em seu início e há um bom exemplo disso.

No início dos anos 80, os computadores ainda eram do tamanho de salas, e tudo apontava para um mundo onde computadores cada vez maiores seriam a solução, já que não havia motivos para pensar que seria viável computadores pessoais. Já havia os Macintosh da Apple, bem caros, e poucos outros, como o Sinclair e o Commodore 64, ambos mais usados para jogos do que para qualquer outra atividade.

Como esse cenário chegaria onde estamos hoje? Computadores espalhados por toda parte, milhões deles? Simples, uma das maiores empresas do ramo, a IBM, acreditou no que chamaram de computador pessoal, o PC (da sigla em inglês). Desenvolveram em segredo o que viria a ser o início de tudo que conhecemos hoje como computador.

Deu muito certo, mas para que o desenvolvimento dessa tecnologia pudesse mesmo atingir a todos precisava de muito mais ideias e muito mais gente produzindo, além de um sistema operacional. Ironicamente a empresa que entrou com o sistema operacional e saiu do ostracismo por essa jogada da IBM hoje é um dos maiores exemplos de barreira ao movimento open source, a Micro$oft. Até então era apenas uma pequena empresa vendendo um sistema operacional que parecia não interessar a ninguém.

Como todas as partes do novo PC eram desenvolvidas de maneira aberta para que todos pudessem acompanhar, foi um grande sucesso em poucos anos se tornou o padrão nas casas por todo o mundo.

Se a Tesla Motors conseguir que o desenvolvimento do carro elétrico tenha um avanço maior com a desistência de suas patentes é possível que em breve seja tão comum ver um deles como ver um movido a gasolina. Talvez, mais adiante nem haja mais movidos a motor de combustão interna, esperemos.

Parabéns à Tesla Motors pela iniciativa e que tenha sucesso.

Logo da empresa de carros elétricos

Logo da empresa de carros elétricos

Recomeço interessante

botão iniciar

Tempos atrás pude participar de uma iniciativa que buscava analisar a viabilidade de uso de Software Livre em Desktops no STF, que já usa em servidores e alguns softwares isolados. Cheguei a publicar aqui como essa grande mudança estava começando, mas como tudo depende do direcionamento superior, se os cabeças mudam tudo pode mudar. Não parece a melhor forma, mas é a realidade.

Agora em outra área, uma nova iniciativa também avalia a viabilidade de uso de Software Livre nos Desktops, com um enfoque completamente diferente, estações de trabalho para desenvolvedores. Ainda em fase de testes, algumas estações estão rodando o OpenSuse 12.3 em dual boot com o Windows já presente nas máquinas.
A ideia é saber quais problemas podem ser enfrentados numa possível troca de padrão, pelo menos para os desenvolvedores dispostos a usar Linux em suas máquinas.
Os voluntários tem papéis diferentes e se ajudam na solução dos problemas que vão surgindo, como a configuração da rede, colocar a máquina no domínio interno, configuração das IDE‘s, email corporativo, entre outros.
Sobre o email, como o ambiente é Exchange 2007 em transição para o 2010 no servidor, tivemos de fazer funcionar nas duas plataformas e MS Outlook 2010 nas máquinas cliente. Depois de algumas tentativas frustradas conseguimos configurar com sucesso. Por isso resolvi publicar uma dica no site Viva o Linux para compartilhar a solução com outros com o mesmo problema, máquinas cliente rodando Linux com Evolution tendo de se conectar a servidores Exchange com email, tarefas e agenda compartilhados, como é o padrão de quem usa esse tipo de solução.
Espero que isso possa ser só o início de uma avaliação maior que demonstre que o Software Livre não só é viável em ambiente corporativo do governo, como também é preferencial por sua eficiência e menor custo.

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Adeus iPhone, já vai tarde

janeiro 25, 2013 Deixe um comentário
iPhone 3GS

iPhone 3GS

Tenho um iPhone há alguns anos, comprei porque achava que era a melhor opção do mercado, seu único concorrente de peso seria uma versão mais nova do mesmo. Sendo usuário, entusiasta e defensor do Software Livre, algumas pessoas chegaram a me questionar pela escolha, mas não dei atenção e segui feliz com minha aquisição.

Pouco tempo depois resolvi ‘libertar’ meu telefone, usei o jailbreak e fiquei ainda mais feliz, afinal agora tinha o controle, poderia instalar o que quisesse e a Apple não poderia fazer nada. Foi na mesma época que aposentei meu mp3 player, apesar de gostar muito dele e ser prático, usar o telefone me livrava de carregar um aparelho a mais, bem pequeno (do tamanho de um pen drive), mas um aparelho a mais, que ainda exigia recarregar a bateria de tempos em tempos.

Me deparei com a única coisa que me incomodava na época a respeito do iPhone, a necessidade de usar o iTunes para gerenciar os backups e gerenciar a coleção de músicas que ouviria no carro. Como não uso windows e não tenho acesso a nenhum mac, isso com certeza seria um problema. Instalei no trabalho, mas a coleção de músicas ainda era problema.

Instalei uma versão do windows 7 com a desculpa de jogos e conseguir usar o iTunes, escolhi uma boa coleção de músicas e pude ficar um bom tempo sem pensar nisso. Quando a coleção já precisava de uma reciclada, fui fazer a troca e descobri que meu windows não bootava, levei mais de 6 meses para reunir coragem e instalar de novo (hoje acho um processo extremamente chato e demorado, instalar e configurar o windows, tudo é difícil, tudo demora, tem o problema da segurança, anti-vírus, drives de vídeo, de áudio, simplesmente sem sentido fazer isso).

As novas versões do iPhone vieram e pensei em trocar, afinal, se fizesse a atualização do sistema, perderia o jailbreak e teria de instalar tudo de novo e vi muita gente reclamando que o modelo do meu iPhone, se atualizado, ficaria muito lento, praticamente me obrigando a comprar outro. Depois de resistir um pouco resolvi que trocaria mesmo, mas com o avanço dos telefones com Android tive de considerar outras possibilidades.

Comecei a pesquisar e acabei decidindo não comprar outro iPhone, mas o preço dos concorrentes não era muito menor, se ia trocar não seria por algo inferior, na verdade também não seria inferior ao melhor iPhone também. Isso me deixava poucas opções e acabei decidindo que quando trocasse seria pelo Samsung Galaxy SIII, só faltava a coragem de desembolsar mais de R$ 1.500,00. Como o melhor da Apple estava mais de R$ 2.000,00, ainda que fosse bastante ainda estava fazendo um bom negócio.

Troquei antes o de minha digníssima, também queria um com Android e por conta da câmera de 5 megapixel, escolheu o Galaxy SII Lite. Achei bem interessante e deveras impressionante, apesar de não ser minha escolha, mesmo que minha escolha tenha me parecido um pouco grande demais. Ajudei a configurar, transferir os dados, o que me impressionou, já que tudo foi muito fácil e rápido, usando o Bluetooth.

Samsung Galaxy SII

Samsung Galaxy SII

Nem tinha o costume de usar o Bluetooth, já que a tecnologia Apple não permite que faça troca de arquivos diretamente sem intervenção do iTunes. Na verdade só passei a usar essa tecnologia quando troquei de carro e o novo tinha comunicação Bluetooth para ligações e ouvir músicas (aposentei outro aparelho, o transmissor FM).

Como nem tudo são flores o SII deu defeito e minha esposa teve de esperar quase um mês pelo conserto e ainda perdeu todos os dados, já que ela não faz backups. Pouco tempo depois o telefone dela desligou de novo, sem motivo, a assistência técnica não encontrou qualquer defeito, o que deixou ela muito revoltada, tanto que desistiu do telefone, queria o antigo de volta, mas já tinha dado a uma amiga.

De tanto ela reclamar, ofereci meu iPhone a ela, que ela sempre achou muito legal, e arrisquei ficar com um telefone que poderia parar a qualquer momento, meu primeiro contato com o Android. Sincronizei meus contatos com a agenda do Google (único jeito que conheço para transferir pelo menos essa parte dos dados) e fui me aventurando, mesmo que penando a princípio, com uma tecnologia que  rapidamente começou a me parecer bem familiar.

Apesar de minha esposa ter ficado de verdade com o telefone pouco mais de 3 meses, ela acha irreconhecível depois que está comigo, também achou impressionante o telefone fazer tanta coisa, com tantos aplicativos que instalei. O único problema até agora é espaço, tendo apenas 4Gb de espaço útil, mais 2Gb para aplicativos, fico bem limitado com minha coleção de músicas, mas é bem difícil achar que vou voltar a usar um iPhone.

A liberdade é ótima e quando você experimenta não quer mais pensar em voltar atrás. Tudo que era bonito e funcional, agora parece trivial e as limitações não deixam a menor saudade. Encontrei substitutos para todos os aplicativos que usava, achei um monte de outros que não tinha e já estou mirando no SIII, quem sabe o SIV. Foi bom enquanto durou, mas agora estou como queria, Linux no computador e no telefone.

Fedora 18, Spherical Cow? Mesmo?

janeiro 25, 2013 Deixe um comentário

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Com o lançamento do Fedora 17, codinome Beefy Miracle, como descrito no último post, expressei meu medo de que um nome ainda pior poderia vir, devia ter ficado de boca, ou blog, fechado. Spherical Cow realmente superou minhas expectativas mais pessimistas de pra onde esse processo está indo.

Deixando a decepção de lado, voltemos às impressões causadas pela versão, aquela-que-não-se-deve-nominar. Houve grandes mudanças, inclusive o instalador reescrito do zero, o que gerou um atraso nunca visto para um lançamento, de novembro passou a janeiro do ano seguinte. Não sei nem qual será o impacto nos próximos lançamentos se maio e novembro serão mantidos ou se tudo vai ser atrasado em 3 meses. A nova cara do anaconda:

fedora18

Anaconda na tela principal

Dessa vez, por conta da demora toda para o lançamento da nova versão, instalei o Fedora 18 Beta e cheguei a ficar usando por alguns dias, mas principalmente pela falta dos pacotes do rpmfusion (umas outras coisas, mas com menor importância), preferi voltar a usar o 17, que mantive funcionando em outra partição.

As diferenças no instalador são muitas, mas nada que alguém que já tenha instalado umas 3 ou 4 distros diferentes não dê conta com um pouco de atenção. Não há necessidade de consultar qualquer material se tem alguma experiência com instalações Linux, se não é o caso, já existem diversos tutoriais por aí explicando isso.

Duas coisas me incomodaram bastante nessa mudança no anaconda (o instalador), a configuração do teclado e a personalização dos pacotes. A primeira procura facilitar a escolha do teclado, mas o faz de maneira descuidada, eu explico, não seleciono mais os modelos de teclado, aceito a escolha automática combinada com a escolha de idioma ou escolho numa lista curtíssima (apenas 6 para português do Brasil), que para o meu caso, por exemplo, não atendem. Ao invés de selecionar um layout de teclado, baseado na minha escolha de idioma tenho algumas escolhas, das 6 que me deram, a que mais se aproxima do meu é o teclado português brasileiro, sem outras especificações.

Isso deixa uma monte de teclas ‘mortas’ e pelo menos no ambiente Gnome, impede a acentuação gráfica. Quase voltei à versão 17 só por esse problema, mas minha surpresa ao ver que usando o KDE, como é de minha preferência, ainda posso escolher o teclado pelo layout e não tenho qualquer outro problema com isso, me fez permanecer.

O segundo problema do instalador é que a opção de personalisar a escolha de pacotes foi eliminada e apenas a opção do perfil principal se manteve, isso permite escolher entre Gnome Desktop, KDE Plasma Workspaces, XFCE Desktop, LXDE Desktop, Suger Desktop Enviroment, Development and Creative Workstation, Web Server, Infrastructure Serve e Minimal Install. As opções são mutuamente excludentes e os pacotes selecionados em uma opção não ficam selecionados se a opção for alteraada. As duas próximas imagens mostram a diferença entre a tela antiga e a tela nova.

Anaconda versão antiga

Anaconda versão antiga

anaconda versão nova


Anaconda versão nova

Ao selecionar uma opção qualquer o usuário poderia ou personalizar cada pacote, agora não pode mais e ainda é impedido de selecionar pacotes de outra opção, o que limita muito a instalação e torna o DVD completo uma opção inútil, já que há uma spin do Fedora para cada uma dessas opções e não há como instalar pacotes de mais de uma delas. Parece pouco inteligente e também muito com o comportamento de instalações de softwares proprietários.

Depois de ter ficado bastante desapontado com a escolha do nome e depois com os problemas decorrentes da alteração no instalador, foquei positivamente, na instância que acara de instalar na partição principal, com a partição /home do meu usuário. Fiz as instalações de costume como quando mantinha a Wiki do Fedora, para ver se todas as alterações pós-instalação estavam funcionando bem antes de atualizar a wiki. Tudo correu bem, fora alguns problemas com o yumex, que aparentemente já resolvi.

E como disse numa discussão com usuários Fedora numa lista há uns dias atrás, comentando esses problemas, ‘Enfim, apesar de tudo acho melhor o Fedora ainda e sempre gostei do RH mesmo’. Acho q é coisa de fanboy, mas talvez demore a achar uma distro que me satisfaça, aí vou reclamar de tudo que o Fedora tem mudado e os usuários não tem gostado, mas vou continuar usando.

Fedora 17, impressões

maio 31, 2012 1 comentário
fedora 17

Tela do Fedora 17 com KDE

Esse foi um lançamento para o qual eu não estava particularmente ansioso. Sempre quero ver as novidades, o que tem de diferente para a versão que me “acostumei” (quando muito uso por seis meses antes de trocar pela seguinte) e muitas vezes procuro algum dos mirrors que possa ter deixado disponível antes por engano.

Dessa vez acompanhei de longe, fui lembrado por uma mensagem alguns dias antes e no dia do lançamento repeti o procedimento, baixei assim que possível. A instalação tinha algumas diferenças, notei depois que tinha acabado que alguns passos não tive de fazer, foi mais rápido.

As principais novidades que se encontra em quase todo lugar (também vai encontrar aqui) são:

  • Linux kernel 3.3.4;
  • GNOME 3.4;
  • KDE SC 4.8;
  • Firefox 12;
  • GIMP 2.8;
  • GCC 4.7;
  • OpenJDK 7;
  • PHP 5.4;
  • Suporte a multitouch;
  • Integração do systemd; e
  • OpenStack Essex.

Existem outras, claro, mas essas chamam mais a atenção e são maiores em alguns casos. Tudo funcionando pouco tempo depois de resolver instalar, como sempre do zero, formatando a partição /, mas isso já é o padrão, seria uma decepção se não acontecesse. Agora é tentar acostumar com esse nome, Beefy Miracle, que aqui entre nós, está ficando cada vez pior, tenho até medo do próximo.

Participação no Consegi 2011

maio 20, 2011 Deixe um comentário

Consegi 2011

O Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico – Consegi, está na sua 4ª edição (minha 3ª participação) aconteceu em Brasília, nas dependências da ESAF, de 11 a 13 de maio de 2011. O tema para essa edição é Dados Abertos para a Democracia na Era Digital, embora diversos assuntos tenham seu lugar e tenham sido tratados.

No site do evento pode ser encontrada toda a programação de palestras e oficinas oferecidas aos participantes do evento, de uma variedade incrível, apesar da maioria estar ligada ao tema central. Como quase toda a programação era concorrente, seria impossível participar de uma pequena porção, ainda mais de tudo disponível.

o sobre shell script completamente grátis, Participei de algumas palestras a respeito de dados abertos no governo, por ter muito interesse no assunto por conta do meu trabalho, com destaque para a categoria "Dados Abertos, e-Democracia e Gestão de Conhecimento Governamental" e mais especificamente o debate "Dados Abertos e as questões sobre Privacidade, Integridade, Disponibilidade, Credibilidade e Autoria" com a participação de Rufus Pollock da OKFn (Open Knowledge Foundation) e Cláudio Berrondo do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

O destaque para esse debate em particular é por conta das questões levantadas, de muito interesse para quem se interessa por dados abertos, principalmente no governo. Um bom exemplo seria quais dados podem ser abertos e de qual maneira, como bem lembrado pelo representante do INPI, dados sujeitos a patentes podem gerar outras patentes, logo deve haver um cuidado sobre a licença usada nessa liberação, ou quem libera os dados pode vir a ter que pagar royalties por dados que originou.

Uma solução para esse problema poderia ser uma licença de dados abertos proposta pela OKFn, Open Data Commons, que pode ser do tipo "share-alike", que prevê que os dados abertos usados podem gerar mais dados que também devem ser compartilhados, da mesma forma que os originais.

Outra parte foram as oficinas, ao invés de debates ou explanações, assuntos mais específicos, como mini cursos. Participei de uma sobre o ASES, um software livre do governo, disponível no portal do software público, que analisa sites com relação a qualidade no html, css, baseado no W3C e no e-MAG (padrão do governo para construção de sites e portais) e acessibilidade, incluindo usabilidade e barreiras com relação a visão (para cegos, com diferentes problemas de daltonismo, miopia, glaucoma, entre outros), muito interessante e muito útil, além de promover consciência e inclusão, recomendo muito.

Também participei da oficina de Expressões Regulares do Júlio Neves, que me lembrou mais uma vez da importância e da flexibilidade do shell do Linux, capaz de muito mais do que se imagina e de maneira simples e elegante. Vale lembrar que no site do Julio você encontra um livro sobre shell script completamente grátis, compensa uma visita.

Outra oficina muito interessante foi a do Inkscape, que não pude participar por absoluta falta de vagas, software de desenho vetorial, muito bom e poderoso. Para quem conhece é difícil achar melhor, mesmo entre os proprietários, simples e direto e capaz de rivalizar com o top de mercado sem fazer feio, além de ser de graça. É um dos casos onde o líder só é líder por ignorância de muitos, tive a oportunidade de comparar durante um curso e não achei ferramentas melhores ou mais sofisticadas.

Outra coisa importante foi ter encontrado o pessoal da Transparência Hacker e discutir o projeto de transparência para o legislativo e suas implicações, o que me fez entrar na lista de discussão deles e começar a contribuir com esse e outros projetos em andamento, muito interessantes e importantes para o país.

Por último, mas não menos importante, para ficar com o clichê, mas que é verdade, participei do Installfest, com uma sala exclusiva durante o evento. Pude participar durante duas tardes, ajudando novos usuários com suas dúvidas a respeito de Linux e também ter duas sessões exclusivas para o Fedora, mostrando aos participantes o passo-a-passo da instalação do Fedora 14 numa máquina virtual, com otimização de particionamento, alguns macetes e dicas pós instalação.

Algumas mídias distribuídas com o pessoal do evento e várias ISO’s copiadas pelos participantes garantiram que o Fedora estivesse acessível a todos os interessados. Também divulguei o lançamento do Fedora 15 e com ele suas principais mudanças, como a versão nova do KDE, o inédito Gnome 3 tão aguardado e com tantas mudanças que pude comentar com o pessoal presente, o novo sistema de arquivos, entre outras novidades interessantes.

Foi um evento interessantíssimo e por isso um post tão longo, mas que vai trazer muita coisa boa para meu desenvolvimento no trabalho e nos projetos que participo, pretendo continuar participando nas próximas edições e pode ser o mesmo para outros para quem posso dizer que vale a pena estar lá.

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Respeito é bom e eu gosto

maio 1, 2011 2 comentários

Há algum tempo atrás me deparei com uma discussão numa lista sobre uma prática de várias companhias aéreas, entre elas todas as que dominam o mercado brasileiro, sites que exigem o uso do navegador Internet Explorer. Como faz algum tempo que não viajo de avião, foi algo que me preocupou, mas que pela correria diária, coisas para fazer, acabei esquecendo.

A ideia me voltou à mente essa semana e resolvi escrever a respeito, já que precisamos nos expressar e denunciar esse tipo de coerção. Eu só não sabia quem antes de terminar (acabei mudando e reescrevendo o post depois do fato) eu seria mais uma vítima do problema.

Para uma viagem de família, fui solicitado a comprar as passagens, acharam até os voos para mim, só teria de entrar no site e comprar, fácil e rápido. Entrei, escolhi destino, data, preenchi dados de passageiros e aí começou o problema, o programa de milhagem, que não lembro nem o nº nem a senha. Claro que lá estava o link para a recuperação desses dados, qual não foi minha surpresa ao clicar redireciona para a seguinte página:

Página da Gol solicitando Internet Explorer

Lá estava o problema, nem tinha me dado conta do post meio escrito que vinha elaborando. Desrespeito puro e simples, só tenho a opção do link para instalação do navegador, nada mais. Em casa uso Linux, um Fedora 14 com KDE, como navegadores o Firefox, o Chrome e de vez em quando o Opera ou o Epiphany. Algumas vezes uso o celular para comprar, navegar e coisas do gênero, um iPhone 3GS, o que me deixa com o Safari, em nenhuma dessas plataformas tenho acesso ao famigerado Internet Explorer.

O que deveria fazer, deixar algo seguro e confiável, que já uso com sucesso para praticamente qualquer outra atividade na web, em favor de uma tecnologia conhecidamente insegura, propensa a problemas e bugs, ainda mais que no fim das contas, só trás dor de cabeça? Será que é isso que as empresas que confiam nos web designers a esse ponto desejam que eu faça? Não creio que as pessoas que estão em lugares mais altos da hierarquia dessas empresas sequer saibam do que estou falando, apenas acreditaram no web designer que disse que tudo está funcionando bem, ele testa, no IE claro, e funciona.

O problema com isso é que toda vez que tecnologias desse tipo são usadas, viram um pesadelo para todos os outros, até hoje há um esforço enorme por parte de quem faz páginas descentes para torná-las compatíveis com a versão 6 do IE, o primeiro a espalhar esse conceito de ter tecnologias próprias e que não seguiam as orientações do W3C (quem sugere todas as regras usadas na web, estabelece padrões e que os bons navegadores aceitam).

Logo agora que algumas páginas começam a não mais dar suporte ao IE 6, forçando usuários que ainda não atualizaram seus sistemas a finalmente fazê-lo, deixando esse problema, vamos começar mais um monstro desses para o futuro próximo, é inacreditável.

A questão é que muita gente usa o IE e nem sequer para um instante e pensa, entre os que usam outros navegadores, muitos tem o IE, numa situação dessa apenas trocam de navegador, não estão acostumados a exercer seus direitos de consumidor, tornando a questão um problema menor. As empresas estão acostumadas a fazer como querem já que o público aceita.

Para mim que trabalho com isso e tenho de verificar que as aplicações aceitem vários navegadores (sempre tenho problemas com o IE que não aceita um monte de coisas legais e que tornam as páginas melhores e mais bonitas) e também não uso Windows em casa, o problema realmente incomoda ou impede alguma coisa.

Mas mesmo quando estou no trabalho, onde o padrão é IE, se verifico uma página inconsistente com outros navegadores, nunca deixei de enviar uma mensagem, sempre cordial, avisando do problema, porque é um problema, é o único navegador, entre os mais conhecidos, que ignora as recomendações do W3C para uso de tecnologia própria, tentando forçar todos a usarem o IE.

Infelizmente ainda teremos de conviver com isso muito tempo, porque seria necessário consciência, sair da zona de conforto, reclamar, nem que apenas mandando uma mensagem (quando tenho escolha, não uso serviços de empresas que não aceitam navegadores descentes) pedindo correção, Há ainda um longo caminho a percorrer pelo respeito ao direito de liberdade de escolha.

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Demorou, mas acabou

abril 19, 2011 1 comentário

O OpenOffice.org, principal suíte de escritório de Software Livre e concorrente mais conhecido do Microsoft Office, no Brasil é mais conhecido como BrOffice.org, por conta de um registro prévio já explicado na extinta Revista Fedora Brasil. Era o software mais conhecido da Star Division, quando era chamado de Star Office. Então a empresa foi comprada pela Sun e a suíte passou se chamar OpenOffice.org e se tornou cada vez mais conhecida e difundida, com versões para Linux e MS Windows.

Sob a tutela da Sun ficou conhecido e veio a ser o padrão para suítes de escritório do mundo livre, apesar de várias outras soluções, quase nenhuma é tão conhecida ou usada em escala tão larga. O seu modelo passou a ser o padrão de troca de documentos, apesar do lobby da Microsoft para aprovar o OpenXML pela ISO.

Mesmo com alguns problemas com a comunidade com a maneira como a Sun conduzia as atualizações, a comunidade seguiu firme colaborando e desenvolvendo o aplicativo. Mas então entrou a Oracle, que comprou a Sun, gerando incerteza para a suíte livre.

Após vários problemas com a nova burocracia para as atualizações e muitas discordâncias com a comunidade, essa última acabou por iniciar um fork (quando uma nova linha de desenvolvimento paralela ganha independência do original) chamado LibreOffice. Depois de um período de incerteza, o apoio do Fedora (na sua próxima versão já trás como padrão o LibreOffice), do Ubuntu e outros, a comunidade abandonou definitivamente o projeto principal e seus colaboradores passaram a desenvolver o LibreOffice.

Agora a Oracle reconheceu que o projeto se esvaziou e decidiu por não mais apoiar o OpenOffice.org, devolvendo-o à comunidade. Como isso foi pouco para quem já se sentia abandonado, por fim foi anunciado o fim do desenvolvimento do OpenOffice.org, que equivale a dizer que o projeto está enterrado, depois de tantos anos à frente das transições para o mundo livre, para quem parte das soluções mais conhecidas e pagas.

Mesmo que o projeto ganhe mais velocidade, mais desenvolvedores, mais agilidade e a mudança maior esteja restrita ao nome, fica sempre a impressão de que algo se perdeu, com um gigante do Software Livre finalmente encontrando seu fim, ou um recomeço não desejado pela maioria.

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CategoriasOpinião

Golpe baixo

fevereiro 7, 2011 Deixe um comentário
Google_vs_Microsoft

A luta do século

Tem tempo que uma guerra entre as duas principais potências do software está acontecendo. Assim que o nome Google deixou de ser apenas uma referência a um motor de busca a Microsoft deixou as barbas de molho, o que, convenhamos, não adiantou rigorosamente nada, o crescimento Google parece irrefreável.

Para quem acompanha um pouco essa luta consegue ver golpes duros sendo desferidos em ambos os lados, mas pouco progresso real em termos de levar a vitória para quem quer que seja, somente luta, e cada vez mais acirrada. O pior é que quanto mais a Microsoft luta com suas armas mais conhecidas e que sempre deram resultados impressionantes contra outros adversários, mais vê que está perdendo território e mesmo que demore, acabará perdendo, o que parece impensável para o tamanho do domínio alcançado. Sem muito trabalho isso fica bem visível com o lançamento do Chrome e seu crescimento vertiginoso para bater o Internet Explorer e o anúncio do Chrome OS, tornando com conceito de Sistema Operacional obsoleto, portanto irrelevante. Isso sem mencionar a gama de serviços gratuitos que incluem até uma suíte office online.

Se as armas convencionais não funcionam, basta apelar para as não convencionais, mas o que seria isso num mundo onde a inovação é a palavra de ordem? Atacar o coração, esse é o ponto, vencer o Google no seu território, o motor de busca. A essa altura do campeonato isso parece impossível, o Yahoo mostrou que ter a fama por muito tempo e fazer uma completa remodelagem, inclusive alcançando resultados semelhantes, não é suficiente para bater o gigante. Assim mesmo a Microsoft fez seu motor de busca, o Bing, e com altos investimentos conseguiu que alguém usasse.

Existem sites que comparam os resultados desses motores de busca, como o BlindSearch, você faz a busca e ele apresenta 3 colunas de resultado, uma Google, outra Yahoo e outra ainda Bing. Só que não diz qual é qual e tem um botão de votação, após votar você fica sabendo em qual. Fazendo alguns testes, testando a relevância dos resultados é fácil perceber que são praticamente equivalentes.

google-vs-microsoft

Símbolos em guerra


Semana passada a briga esquentou e muito, num artigo bomba no Search Engine Land (especializado em motores de busca, como nome bem define) o Google publica uma história bem forte, onde acusa a Microsoft de copiar os resultados de seu motor e apresentá-los como do Bing. O artigo está em inglês e é um pouco técnico, mas de fácil compreensão. Pouco depois a Microsoft rebate dizendo que não houve roubo e apresenta argumentos considerados fracos e no blog oficial do Google é publicado um resumo da ópera (infelizmente tudo em inglês, mas use uma ferramenta de tradução).

Segundo o Google, cujos argumentos são bem mais convincentes, a prova para o roubo é que pesquisas falsas, que não tem relacionamento com o resultado, foram feitas usando computadores com Windows instalado e rodando no Internet Explorer. A página de resultado nada tinha a ver com o termo pesquisado e mesmo assim após usar algumas vezes no Google começou a aparecer no Bing, o mesmo resultado, na mesma ordem. Esperei alguns dias para ver o resultado, mas parece que pelo lado Google existe alguma satisfação em ter provado um ponto e do lado Microsoft a esperança de que isso caia em esquecimento, como tudo o mais quando tantas notícias são lançadas por dia.

Muitos sites publicaram notas sobre o ocorrido, mas depois disso nada, não sei se isso chegará aos tribunais, se fica por isso mesmo, é certo que mais uma vez fica provado que no mundo dos negócios as grandes corporações agem da forma que for possível, não há limites e ninguém pode confiar em ninguém. Fica a pergunta, quem vai dominar o mundo?

Os nomes do Fedora 15

outubro 27, 2010 Deixe um comentário

A lista de nomes de cada versão do Fedora quase sempre gera alguma controvérsia ou polêmica. Parece um paradoxo, já que os nomes também são sugeridos pela comunidade, num processo que parece um exemplo de democracia. Abre-se um período de sugestões, onde os critérios são claros e mantidos inalterados, depois uma validação desses nomes segundo critérios igualmente conhecidos e alguns desses nomes vão para uma lista menor, para votação, também pela comunidade. Como então gerar controvérsia ou polêmica?

Como a primeira lista é completamente aberta, fora os critérios de criação e eliminação por possíveis implicações legais necessários para a manutenção do próprio processo, há uma gama razoavelmente grande de nomes, alguns de gosto altamente duvidoso. O processo de passar dessa lista inicial para a que será apresentada para votação é que geralmente faz a parte complicada do processo.

Uma versão que gerou uma discussão mais acalorada, pelo menos na comunidade brasileira, foi a 9, que acabou com o codinome "Sulphur", enxofre em português. A discussão girava em torno de nomes considerados muito ruins, como Chupacabra. Sulphur e algum outro foram considerados os menos piores, o mal menor para o Fedora. Com 10 nomes na lista de votação, era difícil escolher, bons nomes que foram aprovados não poderia ser votados e isso levou à discussão.

Como normalmente acontece, a discussão não resultou em nada além de insatisfação por parte de alguns membros da comunidade que não se sentem ouvidos, na minha opinião com bastante razão, mas ficou por aí. Um problema recorrente no mundo Fedora, ser ouvido como membro da comunidade em questões como essa é muito difícil, questionar decisões não é exatamente bem visto. Propor alterações no upstream também já gerou esse tipo de conflito, o que pode soar estranho, mas nem toda proposta de alteração é encarada assim. Tive um problema com o YumEx, que causava problemas com meu tipo de conexão, um caso bem particular, justiça seja feita, uma nova versão que me atendia foi publicada em 2 semanas.

Voltando ao tema inicial, o período de sugestões de nomes para o Fedora 15 se encerrou há pouco, nomes foram cortados por ter link fraco (esse é um dos critérios), por não seguirem o critério de criação ou por outras razões. Sobrou uma lista de nomes para serem colocados na lista a ser votada e alguém tem que fazer essa lista. Provavelmente não é um trabalho muito popular. A lista em votação tem apenas 5 nomes, o que aumenta consideravelmente o problema de ter opções, tudo bem diminui o problema de um nome pouco votado ganhar, mas é interessante notar que são os primeiros 5 nomes na lista de sugestões, um deles até com advertência. Foi aprovado, mas não estava completamente ok como vários outros da lista que não chegaram à votação.

Será que há realmente esse trabalho de escolher nessa lista depois da validação? Ou os primeiros 5 propostos que forem aprovados são a lista de votação? Fico na dúvida e não acho que perguntar em uma das listas de discussão resolva, como não resolveu em tantos outros casos, fica apenas a dúvida. Aqui nesse ponto os trolls (quem participa de listas de discussão movimentadas ou fóruns sabe o que é o termo, se não é seu caso, procure por essas referências) começariam a especular, "deve estar reclamando porque o nome sugerido por ele não foi para a lista". Uma coisa é verdade, não foi mesmo, mas tem vários lá que agradariam não só a mim como a muitos outros, o motivo não é esse. Não me considero desprestigiado no processo em si, um nome proposto por mim, numa lista de 10, chegou a 4º lugar na votação, não é ruim.

O que me leva a escrever nem é a tentativa de mudar também, até porque não acho que seja o que for que eu diga mudará o processo em alguma coisa. Apenas uma reflexão sobre o processo em si e algumas de suas consequências. Me perguntando, mais do que a alguém que possa ler, se está certo, se deveria ser assim. Será que um nome que recebeu uma advertência na aprovação era melhor que outros aprovados sem ela e até com comentários sobre serem bons? Uma lista de 5 nomes tem mais chance de agradar por forçar uma votação maior no nome vencedor do que desagradar por não trazer os nomes que a maioria gostaria?

Fiz minha parte, sugeri um nome, votei em um da lista apresentada, agora é esperar o resultado e não me empolgar com ele, venha o que vier, como já aconteceu tantas vezes. Aí o troll já começa, "se não gosta, porque não muda de distro?" A resposta é muito simples, até demais, porque eu não quero, gosto dessa e vou ficar com ela, mas como gosto de liberdade (escolhi Linux, não é?) não acho que preciso concordar com tudo, principalmente com o que parece não estar certo.

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