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O primeiro passo para um mundo maior

É bastante comum ao fazer menção a alguma notícia colocar alguma comparação a uma citação conhecida, como uma música ou um pensador ou, nesse caso, um filme. Assim como Luke Skywalker ao conseguir pela primeira vez usar “a Força”, em um dos primeiros treinamentos a bordo da Millenium Falcon, ouviu de seu mestre Obiwan Kenobi que esse era seu primeiro passo para um mundo maior, foi exatamente o que pensei que estaria acontecendo no seguinte caso.

A preferência por Software Livre no governo está longe de se tornar uma realidade, apenas algumas iniciativas isoladas e alguns órgãos realmente estão fazendo alguma coisa, como já relatei nesse post. O programa foi lançado mais como propaganda do que como diretriz, mas alguns órgãos, muito por conta de restrições orçamentárias, começaram a se mexer.

Apesar de se tratar de uma diretriz do Poder Executivo, alguns tribunais já começaram a aderir à iniciativa. O Supremo Tribunal Federal, recentemente, criou o Núcleo de Software Livre e Padrões Abertos para estudar a questão e algumas decisões importantes foram tomadas. Uma, que deve beneficiar qualquer instituição com necessidades parecidas em termos de software, é a de disponibilizar alguns dos softwares desenvolvidos na casa com licença GPL no Portal de Software Livre do Governo Federal, possibilitando a economia com equipe de desenvolvimento interno sem qualquer custo para quem resolver adotar a solução proposta.

Outra decisão importante, que é justamente o motivo deste post, é a primeira tarefa já definida para o Núcleo, é o estudo para substituição da suíte de escritório, atualmente o MS Office 2003, por uma de código aberto, a solução escolhida foi o BrOffice.org, nome do projeto OpenOffice.org no Brasil. Alguns parâmetros foram passados para que a mudança fosse o menos sentida possível pelo usuário final, como o levantamento de todas as funcionalidades em uso com a atual suíte. Não poderá haver perda de funcionalidade, o que significa manter licenças proprietárias onde a nova suíte não puder atender plenamente o usuário.

A substituição na área de TI já está definida, as outras áreas deverão ainda passar por estudos mais profundos para evitar resistências e retorno à suíte em uso após a mudança. O caso servirá como piloto para as mudanças nas outras áreas.

A mudança parece tímida, mas para uma casa tão tradicional e onde a cultura leva muito tempo para se adaptar a qualquer mudança, já será um grande impacto. E como o Supremo tem grande influência, muito por sua posição de corte suprema, entre outros tribunais, alguns até que já começaram essa migração, a tendência de que o movimento se espalhe é bastante razoável. A suíte de escritório é apenas o começo, a intenção do Núcleo é o estudo para substituição de qualquer aplicação de licença proprietária por solução de código aberto, servidores, bancos de dados, CMS, ambiente de desenvolvimento entre outras.

A linguagem para desenvolvimento de novas aplicações foi padronizada e a escolhida foi o Java, as aplicações na intranet serão migradas, provavelmente para PHP, já há algumas aplicações que utilizam o MySQL e o PostgreSQL como banco de dados, o controle de versão dos softwares e documentos está sendo migrado para o SubVersion e alguns servidores já usam Linux, o Fedora para minha felicidade.

Realmente, esse é o primeiro passo para um mundo maior, muito maior…

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  1. Fabio
    julho 18, 2008 às 12:29 pm

    Seria de muita importância para a comunidade que o grupo de TI do STF publicasse o estudo feito para essa migração. Certamente outros orgãos tem vontade de usar soluções software livre, mas por conta do medo, insegurança e uma certa falta de conhecimento, não adotam o opensource. A comunidade agradeceria muito. Boa sorte!

  2. julho 18, 2008 às 2:07 pm

    Os governo brasileiro é especialista em desperdiçar dinheiro público, porque faria economia adotando o Software Livre? Esta notícia sobre o STF é uma luz no fim do tunel, espero que vá adiante, porém será uma boa briga, pois terão de ser contornados os interesses pessoais e a resistência a mudanças, principalmente no que se refere a cultura Microsoft

    A orientação de PROFISSIONAIS qualificados que ajudem nesta transição e o treinamento dos usuários também se fazem necessários.

  3. julho 19, 2008 às 5:46 am

    Fabio,

    A intenção é documentar todo o processo justamente para isso. Infelizmente a comunicação acaba ficando mais fácil fora dos canais oficiais, via comunidade de SL.

    Mas com esse passo, espero que pelo menos outros tribunais, alguns já mais adiantados que o STF na migração, se juntem a nós e quem sabe não formemos algo parecido com esse Núcleo, mas em nível nacional, como já existe para discussão de outros assuntos.

  4. julho 19, 2008 às 5:53 am

    Eugenio,

    Onde quer que o despedício de dinheiro público puder ser diminuído o ganho é de toda a sociedade brasileira. Você está certíssimo.

    O estudo é para verificar onse serão os focos principais de resistência e miná-los antes que causem problemas. Tecnicamente a migração é viável em 90% dos casos sem qualquer problema, mas o usuário tem gostos pessoais e devemos tomar cuidado ao entrar nessa seara, pois pode colocar tudo a perder e a suíte da M$ voltar não como antes, mas com o reforço de que trocar não funciona ou não adianta. Isso deve ser evitado a todo custo, é preferível adiar a substituição a fazer sem considerar esses fatores.

    A equipe de helpdesk é bem preparada e quando a migração for expandida para fora da TI será de fundamental importância que sejam treinados previamente com a nova ferramenta.

  5. julho 20, 2008 às 9:08 pm

    A iniciativa da Justia Eleitoral merece aplausos e confiana.
    O que um leigo no entende o porque do gov ser to tmido
    na migrao. Um dos maiores clientes de toda tipo servio prestado neste pas sempre o governo. E os prestadores de servios se veem obrigados a comprar licenas porque a maioria dos setores consumidores e adquirentes dos servios so incompatveis pois usam solues proprietrias. Pensando em segurana eu migro, pensando em tecnologia de ponta eu migro, pensando capacidade de aprendizagem dos meus colaboradores eu migro, pensando em no enviar divisas ao exterior eu migro, pensando na economia imediata eu migro como j fiz do ano 2000. Ento, por que o gov no migra? O que h por trs desse descaso? Grato. Stark

  6. julho 21, 2008 às 3:46 am

    Só uma correção, o STF ñ é da justiça Eleitoral, é a suprema corte, quer dizer, constitucional.

    Uma das causas para a dificuldade de migração é a base instalada somada à necessidade de justificativa de gastos, não só com a migração, mas com a base instalada. É complicado demonstrar que as licenças que não preciisará mais pagar serão economia suficiente para “desistir” da maior parte do que foi investimento nos últimos anos, pelo menos não em todos os casos.

  7. Saulo
    julho 21, 2008 às 10:55 am

    No concurso do STF só caiu Windows 2003 Server…

  8. julho 21, 2008 às 11:16 pm

    O concurso é planejado mais de 1 ano antes das provas, a decisão atual nem poderia mesmo já estar no conteúdo das provas. Mas não se preocupe, se você passar, certamente será treinado no que for preciso.

    Boa sorte!

  1. julho 17, 2008 às 9:28 am
  2. julho 17, 2008 às 12:03 pm
  3. julho 22, 2008 às 2:27 pm
  4. maio 7, 2013 às 4:56 am

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